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03/09/2010 - Deus, salve a incompreensão
Difícil escrever assim; viver escritamente assim. Há uma voz que me censura. Há um coração que não me entende. Há uma língua que me fere ferinamente. As palavras que oferto são renegadas. A essência dos textos é blasfemada. O sentido do sentimento é deturpado. E tudo vira motivo de discussão e censura. Cortam-me as asas da imaginação. Proíbem-me a loucura. Podam-me o direito à licença poética. Falta respeito e gratidão ao amor que canto, ao pranto que rolo e às linhas e versos que acolho em meu colo....
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02/09/2010 - Bater um tambor
Vamos bater um tambor, meu amor, que a noite é de lua cheia. Vamos bater um tambor, meu amor, incendeia. Vamos bater um tambor, chamar o preto velho e o caboclo roncador. Vamos bater um tambor, tomar banho de flor, de mato e de pipoca. Vamos bater um tambor, e fazer macumba e fazer kizumba falando de amor. Vamos bater um tambor, dançar com Iansã, caçar com Oxossi, sorrir pra Xangô. Vamos bater um tambor, meu amor, pedir ajuda para o babalaô. Vamos bater um tambor, senhora, pro senhor do tempo. Vamos bater um tambor, senhora, no terreiro de dentro. Vamos bater um tambor, rodar a saia e segurar nas palmas. Vamos bater um tambor e lavar as almas. ...
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01/09/2010 - Ao sul do equador
Não existe milagre ao sul do equador. Abaixo da linha imaginária que divide o mundo não há muita expectativa. Há um leque de assassinos à solta e um ladrão de galinhas detrás das grades. Há milhares de focos de queimada transformando o verde em cinza. Há uma indústria produzindo promessas e mais promessas que jamais serão cumpridas. Há incontáveis escândalos públicos e privados. Há uma mulher que apanha e cala. Há uma criança que perdeu a fé no sonho. Há valas e mais valas onde se enterra o orgulho e o respeito e a esperança. ...
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31/08/2010 - Visões de guerra
As últimas cicatrizes ainda ardem nos matizes dos olhares que não conseguem se esquecer do que viram. É tanta guerra, são tantos estilhaços de coração. É tanta guerra, são tantos pedaços de canção. É um mundo partido, dividido, proibido. Um mundo que dói e corrói e desconstrói. Um mundo imundo, profundo, moribundo querendo morrer em seus braços a todo minuto. Um mundo de luto....
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30/08/2010 - Amor lilás
No topo da montanha que se ergue acima das ondas de um mar lilás, quero lhe contar o que habita neste meu coração de rapaz. Como é bom mergulhar na simplicidade dos seus olhos que são como janelas que se abrem para a luz enquanto a saudade fugaz se afoga no oceano lilás. Nada como ficar nesse ambiente costeiro, fazendo do seu corpo o meu veleiro de ilusões carnais, espirituais, transcendentais... Vamos correr para o cais. Vamos percorrer os arrozais. ...
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Obra online
01/09/2010 - Capítulo 51
Não há mais o que esperar. As mãos de Jhaver finalmente vão ao encontro do chicote. Miguel observa com um quase sorriso na boca. O mesmo quase sorriso que deve se manifestar na boca de Deus.
Chega de tanto resistir, de tanto negar a própria essência. O maior castigador de todos os tempos voltaria a castigar. Não há como escapar da sina daquele chicote. Todas as revoltas, todas as vontades de se fazer justiça, todas as angústias estão presas ali naquele instrumento de punição. ...
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Capítulos anteriores:
26/08/2010 - Capítulo 50
24/08/2010 - Capítulo 49
20/08/2010 - Capítulo 48
veja todosTextos falados
03/10/2009 - Anjo Lilás
03/10/2009 - Passarada
30/05/2010 - Lá vem ela
30/05/2010 - Vozes do vento
Verso em destaque
Soneto do leito
Quero um soneto que caiba no leito
Da mulher amada. Ah! Que seus sonhos
Rimem ricos com loucos devaneios
Que seus sonhos todos tenham proveito
Nas estrofes que cruzam em suas pernas...
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Linha em destaque
01/04/2008 - Cantar é o remédio do século
"Figaro... Figaro... Figaro... Figaro... Figaro...Figaro!!! Figaro qua, Figaro la, Figaro qua, Figaro la, Figaro su, Figaro giu, Figaro su, Figaro giu.
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravíssimo!" ...
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