Veneno e coração
(04/07/2009)

Em casa de marimbondo não se mexe se não quiser ser mexido. Em casa de marimbondo não se entra mesmo se for convidado a entrar. Em casa de marimbondo malandro não bota o pé, porque sabe o que não quer. Marimbondo é bicho esquisito, já dizia minha bisavó, entre as baforadas do pito que pitava só. O sol redondo e vermelho já está se pondo no traseiro do marimbondo. Onde é que eu me escondo do marimbondo? Quem é que vai me defender do crime hediondo do marimbondo? Corre, corre, corre porque lá vem o estrondo do grito gritando olha o marimbondo.

Marimbondo é vespa fêmea que anda com o ferrão à mão, pronto pro combate. Marimbondo, brabo que é, não arreda o pé. Marimbondo chega late. Marimbondo é bicho dolorido, provoca grito, dor e gemido. Marimbondo é traiçoeiro, mata por dinheiro. Mel de marimbondo gente não bebe. Mel de marimbondo é forte, amargo, escuro, danado de ruim. Por isso marimbondo vive de olho no meu quindim. Corre, corre, corre, porque marimbondo tem quatro asas. Corre, corre, corre, porque marimbondo mora em favo e favo não é casa.

Marimbondo é um tipo de galo de rinha, que faz da tragédia uma história de carochinha. Mata, mata, mata grita a rainha, que vive no meio da construção. Rainha movida pelo ódio de ser renegada da paixão. Rainha dos marimbondos, rainha da solidão. Rainha das histórias de assombração. Cuidado, lá vem o marimbondo, marimbondo não vem não! Marimbondo é o vingador do céu. Marimbondo só respeita moça de véu. Na casa do chapéu, tudo é traição. Marimbondo traindo marimbondo num arroubo de veneno e coração.




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Daniel Campos - 10/02/2008