Texto do dia
09/02/2010 - A mais bela chegou
Quando ela chega não há mais espaço para desculpas. Sem volteios ou pudores é preciso admitir de uma só vez: a mais bela chegou. Ela, Nefertiti, chegou. Sim, a descendente física ou espiritual da rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito tomou forma humana novamente. Assim como na história original, ela chega colocando o mundo aos pés de sua beleza depois de sumir sem deixar pistas. Quando ela chega as perguntas devem ser substituídas por visitas aos floristas.
Ninguém sabe quanto tempo sua nova estada durará. Só são conhecidos seus planos: reinar, reinar, reinar. E ela não precisa de esforço algum para reconquistar seu trono. Joelhos e olhos se curvam diante de seu corpo faraônico. E aqueles que, sem medo da morte, aventurarem-se a chegar mais perto de seu rosto observarão que o lóbulo de sua orelha é furado em dois pontos. Mais do que coroas, tal fato atesta a marca fundamental da realeza egípcia.
Beleza. Carisma. Poder. São esses os três elementos que compõe a coroa de Nefertiti. Pouco se sabe sobre sua origem ou seu destino. Ela é absolutamente presente. E é isso que a faz ser amada, celebrada e adorada mais do que qualquer outra mulher. Diferente de qualquer outra, Nefertiti amou um só Deus. O Deus Sol. Lábios grossos e um olhar aristocrático fazem dela uma fonte de cobiça e prazer. Não é à toa que fortalezas foram erguidas ao longo dos anos para tentar capturar sua beleza.
Não sei quando sumirá de novo. Só sei que é preciso servi-la intensamente antes que se inicie o próximo ciclo de espera.
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Texto narrado
Passarada
Pássaro
Passarim
Passa sim
Pássaro
Passaredo
Passa medo
Pássaro
Passa passou
Voou
Pelo céu pelo chão
Rumo ao fruto maduro
Chamado verão
Voou
Pelo céu pelo chão
Carente de uma estrela
Chamada ilusão.
Pássaro
Passarim
Passa de festim
Passaredo
Passa em segredo
Pássaro
Passa passou
Voou
Feito vinho feito uva
Feito balão
Voou
E se molhou de chuva
E se fartou de neve
E se machucou no granizo
Do coração
De uma mulher
Que num riso breve
Despetalou suas asas
Bem-me-quer
Mal-me-quer.
Pássaro
Passarim
Passa em mim
Passaredo
Passa cedo
Pássaro
Passa passou
Voou
E se internou
Lá detrás do monte
Lá no viveiro do horizonte
Onde vivem os poetas alados
Poetas de almas inquietas
E de poemas inacabados.
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Verso em destaque
Quiromancia
Deixa-me ler as suas mãos e achar a linha que me queira bem
Deixa-me ler as suas mãos e lhe falar o futuro que imaginei
Deixa-me ler as suas mãos e lhe contar o que não foi contado
Deixa-me ler as suas mãos e diagnosticar suas saídas
Deixa-me ler as suas mãos sem a pretensão de que acredite
Deixa-me ler as suas mãos pela décima vez
Deixa-me ler as suas mãos ainda no ar
Deixa-me ler as suas mãos antes delas dormirem
Deixa-me ler as suas mãos e escorrer pelos seus dedos
Deixa-me ler as suas mãos e me enroscar em seus anéis
Deixa-me ler as suas mãos e mapeá-las
Deixa-me ler as suas mãos e imitá-las
Deixa-me ler as suas mãos e descobrir o que elas conversam
Deixa-me ler as suas mãos e passar um mês ali em internato
Deixa-me ler as suas mãos e me manchar no seu esmalte
Deixa-me ler as suas mãos e me cortar nas suas unhas
Deixa-me ler as suas mãos e tentar lhe adivinhar por inteira
Deixa-me ler as suas mãos até a última célula ou inspiração
Deixa-me ler as suas mãos ao primeiro impulso
Deixa-me ler as suas mãos quando elas estiverem sem luvas
Deixa-me ler as suas mãos com a ajuda de lentes de aumento
Deixa-me ler as suas mãos e me sorver por ali
Deixa-me ler as suas mãos antes do seu primeiro bom-dia
Deixa-me ler as suas mãos como se eu lesse um retrato
Deixa-me ler as suas mãos e chorar um pouco
Deixa-me ler as suas mãos, içar velas e lhe pedir um sopro.
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Linha em destaque
27/11/2009 - Leveza é fundamental
Gosto de lhe ver caminhar com essas pernas ariscas de sol. Gosto de mordiscar romances inteiros em seus ouvidos escondendo-lhe apenas o final da história. Gosto de acompanhar seus olhos caminhando na direção contrária ao tempo. Gosto de tentar entender essa sua tristeza incompreendida. Gosto de lhe fazer carícias e me entregar a sua malícia ingênua de ser. Gosto de lhe ter o mais próximo possível, mesmo sabendo que existe um cânion entre nós. Afinal, anjos e demônios são díspares por natureza. E eis aí nossa beleza.
Gosto de ver seu esforço para não sorrir, mantendo-se séria e firme até o último degrau da escala richter. Gosto de lhe tentar, de lhe roubar, pouco a pouco, e de prever seus movimentos. Gosto de violar esse mundo secreto que é você. Gosto de colocar armadilhas em seu caminho só para lhe salvar do perigo. Gosto dos seus olhos de apuro e de seu olhar caloroso e puro. Gosto de lhe ver querendo escapar só para atiçar meus planos. Gosto de sua franqueza e da sua selvagem delicadeza. Gosto desse romance que mistura a nuance do popular à nobreza.
Gosto de procurar conversas do vento presas em seus cabelos. Gosto de impregnar seu corpo do meu corpo. Gosto de sentir os diferentes cheiros que emanam da sua perfumaria ao longo do dia. Gosto de saber aonde você vai e me esquecer que horas você vem, só para manter o suspense. Gosto de tramar nossas tramas. Gosto de arrumar nossa cama. Gosto de me benzer em suas ramas. Gosto de lhe pegar no colo após descobrir alguma de suas fraquezas. Gosto dos seus olhos de gôndola, à moda de Veneza. Afinal, para não afundar nesse mar de amor e ódio, leveza é fundamental.
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Obra em destaque
Anjo Lilás
2006 - Poesia
Em Anjo Lilás, depois de um período marcado por prosas e pela poesia métrica, Daniel se reencontra com os versos livres. Mas não é um reencontro qualquer. Poesias que continuam falando de amor, mas agora de um amor diferente. Diferente em sua dimensão, em sua forma, em seu sentimento.
Depois de 10 anos de caminhada poética, a busca pela mulher amada se concretiza. Na verdade, a busca pela mulher amada rompe os limites e alcança os céus... O poeta se vê diante de um anjo lilás (Marilene). E no beijo da amada, que é metade anjo e metade mulher, a poesia de Daniel não só se renova, mas ganha força e intensidade. Um amor intenso em corpo, intenso em alma, intenso em espírito.
Anjo Lilás traz um poeta realizado sentimentalmente falando. Mas um poeta que continua sua caminhada em busca de viver todos os segredos e mistérios que compõe a mulher amada. Mais do que nunca, o amor sai do abstrato e vem para um plano que é concreto, mas que tem asas.
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