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2014-03-26 - A anatomia da mulher amada - Prosas - Daniel Campos
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Daniel Campos

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26/03/2014 - A anatomia da mulher amada

Parte por parte, a composição da mulher amada é pura arte. De baixo pra cima, para crescer o clima de suspense, pense nos pés da princesa mais delicada já imaginada no reino do faz de conta. Pés pequeninos, suaves, tímidos e dignos de serem beijados por aquele que se curva em total reverência à mulher amada. Tornozelos que incitam a subir por pernas torneadas, lisíssimas e sedosas, um joelho muito bem articulado e coxas gostosas que abrem o apetite do desejo da alma em viver a mulher amada por inteiro. Pernas que levam a lançar pensamentos nessa mulher pedalando no parque, correndo nas areias do mar, subindo escadas intermináveis. Esticadas ou cruzadas, essas pernas desajustam o juízo de quem as contempla em níveis absurdos. Seus tecidos são lisos cobertos por, no máximo, uma finíssima penugem, mas olhada de forma mais atenta é possível ver os afrescos e arabescos que formam os eus interiores da mulher amada. Um umbigo que traz estrelas dependuradas, uma barriga de causar duradouros e consecutivos suspiros e uma cintura que dá vontade de pegar e não soltar numa mais. O corpo exala temperaturas febris e ao mesmo tempo um frescor único, trazendo à tona seu estado permanente de combustão e reações químicas jamais decifradas. Suas costas pedem que soltemos as amarras dos nossos veleiros partindo rumo ao desconhecido encantado, por um mar de mistérios que traz ondas surpreendentes a cada vértebra. E se veleja sempre esperando encontrar o esconderijo das suas asas. Um corpo de tantas cores, brilhos e contrastes de uma mulher camaleoa, que reflete às retinas sempre de uma maneira diferente e nova, mas se mantendo essencialmente igual. Os seios se avolumam em crescentes quereres, exibindo ou deixando escapar desenhos arrojados e inspiradores. Seus decotes são convites ao ato de pular dos penhascos em busca da felicidade. A mulher amada tem ossos leves como o das aves, permitindo-lhe o voo e músculos rijos, capazes de fugir como caça ou de perseguir como caçadora. O pescoço leva à região dos beijos que despertam arrepios em territórios secretos. Falando em beijos, a boca de sereia, composta por lábios embonecados e fartos, além de beijar magicamente, canta docemente. Também não se pode deixar de mencionar o sorriso, que tem a força de devolver a vida ao que a vida transformara em pedra. A língua é embebida no melhor da literatura e em outras prosas surpreendentes, tendo um balanço fonético, atlético, poético. Os cabelos perfumados escorrem com leveza iluminados num balé de luzes por seu rosto e corpo. Os olhos falam por si próprios, tenros e profundos. É tão fácil se perder quão se encontrar em seus olhos. Seus cílios se movimentam como brisa e suas sobrancelhas se movimentam imediatamente ao comando de seu humor. O nariz é de uma delicadeza que denuncia emoções mais fortes colorido de pudor, assim como o queixo e as maçãs do rosto. A orelha, tão pequenina, incita versos aos ouvidos. Há flores, músicas, pinturas, danças pelo corpo multidimensional da mulher amada. Sua pele traz uma espécie de pólen invisível aos olhos, mas sentida pelo tato mais cuidadoso. Seu corpo se assemelha a um tule pronto a ser bebido com elegância e vontade, saboreando cada borbulha que, por meio da explosão silenciosa, revela ou não sua dose de fantasia. Os braços são perfeitos para serem transformados em abraços e as mãos, com unhas irretocáveis, atraem os príncipes dos mundos mais longínquos para beijos encantos; mãos nobres que à luz das velas do sol ou da lua são pedidas e queridas em casamento. Afinal, a anatomia da mulher amada casa-se perfeitamente com a poesia que nasce por ela.


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