Daniel Campos

Imprimir Enviar para amigo
17/06/2015 - O drama do cacto

Sem amor, sem carinho, sem ninguém, sozinho. Assim é o dia do cacto, cujos espinhos fazem seu pacto com a solidão. Quem tem um coração de cacto vive no sertão do sentimento. Espera-se por chuva, mas a chuva não vem. Reza-se por milagre, mas milagre não tem. Deseja-se até a morte, e da morte não se fica sem. Mas a morte do cacto é todo dia, nos partos dos espinhos, na certeza do viver sozinho. A boca do cacto machuca o vinho. As mãos do cacto não tocam o pinho. O corpo do cacto desfia o linho. O cacto não vai além do cacto. Seja semente, fruto ou flor é cacto. É o pacto permanente com a solidão. Sem amor, sem carinho, sem redenção. No cacto aranha não se atreve a fazer teia. O coração do cacto nem sol do deserto clareia. O cacto queria ser pássaro, ser gado, ser areia, mas é cacto e do cacto o espinho não apeia.


Comentários

Nenhum comentário.


Escreva um comentário

Participe de um diálogo comigo e com outros leitores. Não faça comentários que não tenham relação com este texto ou que contenha conteúdo calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade. Eu me resguardo no direito de remover comentários que não respeitem isto.
Agradeço sua participação e colaboração.

voltar