Daniel Campos

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10/08/2011 - Saudade alpina

E de tudo ao meu amor-perfeito serei saudade. De tê-la num estribilho pelos passeios de trem nos trilhos da serra serei saudade. De ter lábios alheios aos meus nas notas finais de um chocolate quente serei saudade. De tê-la pelas ruas estreitas pisando nos meus passos serei saudade. De ter olhares de lã me envolvendo em meadas de linhas e geadas e vinhas serei saudade. De tê-la canção em lareiras e ladeiras e beiras de estação serei saudade.

De mergulhar meu corpo ao dela como numa panela de fondue serei saudade. De tê-la entre camadas e camadas de coberta serei saudade. De suas palavras levadas pela canção de Jobim serei saudade. E de tudo ao meu amor-perfeito serei saudade. De tê-la entre o branco e o rosa das cerejeiras serei saudade. De um tempo que passa de charrete sob as minhas janelas serei saudade. De tê-la sem juízo num sorriso alpino serei saudade.

De caminhar de braço dado pelo bosque de folhas caídas serei saudade. De tê-la num sono profundo, no mundo de um silêncio que resiste aos apitos da maria fumaça, serei saudade. De ter a tarde bromélia caindo aos nossos pés serei saudade. De tê-la nas paisagens das vitrines de inverno serei saudade. Do perfume verde e fresco dos pinheiros, hálito dos anjos, serei saudade. E de tudo mais ao meu amor-perfeito serei saudade.


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