Daniel Campos
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Encontrados 6 textos de fevereiro de 2012. Exibindo página 1 de 1.

06/02/2012 - Os grilhões da morte

Quando é que seremos livres da morte? Da morte diária que nos persegue e pouco a pouco nos tira tudo, independentemente se esse tudo é concreto ou abstrato, real ou fictício, físico ou psicológico. Nascemos já sob os efeitos da morte. Ela mata o nosso primeiro riso num choro, corta o cordão de carne que temos com outro ser e nos coloca numa estrada regressiva. Caminhamos para a morte. Mas a morte não é somente o fim, mas todo o processo. Pois morremos sempre, a cada passo, a cada voo, a cada mergulho. ...
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05/02/2012 - Solitários

Em todo lugar há um solitário uivando à lua com autoestima de vira-lata. Em todo lugar há um solitário acompanhado de uma taça, de um copo, de um cálice. Em todo lugar há um solitário se sentindo uma ilha em alto mar. Em todo lugar há um solitário conversando em voz alta com seus pensamentos. Em todo lugar há um solitário revirando lembranças em busca de companhia. Em todo lugar há um solitário caminhando numa estrada de mão única. Em todo lugar há um solitário com um coração partido.

Em todo lugar há um solitário mentindo para si mesmo. Em todo lugar há um solitário se sentindo culpado por sua solidão. Em todo lugar há um solitário que pede, reza, implora por um amor. Em todo lugar há um solitário querendo dividir sua solidão com outro solitário. Em todo lugar há um solitário procurando defeitos e qualidades no espelho. Em todo lugar há um solitário sentindo inveja daqueles que passam de mãos dadas. Em todo lugar há um solitário com medo do escuro. Em todo lugar há um solitário que chora e diz que não chora. ...
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04/02/2012 - Oxalá, salvai-nos!

Por todo encanto e pranto que há no ar, meu Senhor do Bonfim, volte seus olhos para a Bahia de Todos os Santos. Saravá Oxalá, não permita o mal reinar na terra de Caymmi, de Jorge Amado, de Mãe Menininha... Oxalá, senhor de todos, salvai-nos. Salvai-nos do terror, do ódio, da desordem, do desamor. Salvai-nos do caos dos homens.

Senhor dos panos brancos, cubra o seu reino com a paz da criação. Nem que para isso precise convocar as armas de Ogum, as tempestades de Iansã, as cobras de Oxumaré. Que Iemanjá leve tudo de ruim pras águas profundas do mar profundo. Meu senhor do Bonfim, tenha misericórdia de mim e de todos os que não querem o fim dessa terra....
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03/02/2012 - Um dia

Um dia à parte. Um dia frio. Um dia de luta. Um dia só. Um dia de sol. Um dia de chuva. Um dia de lua. Um dia apaixonado. Um dia branco. Um dia preto. Um dia de fé. Um dia deitado. Um dia a pé. Um dia a mais. Um dia a menos. Um dia e tanto. Um dia de santo. Um dia de cera. Um dia de riso. Um dia sem juízo. Um dia doente. Um dia somente. Um dia semente.

Um dia de canto. Um dia de encanto. Um dia internacional. Um dia local. Um dia de estrela. Um dia anônimo. Um dia carente. Um dia de pecado. Um dia aceso. Um dia teso. Um dia de peso. Um dia leve. Um dia para guardar. Um dia em guarda. Um dia calado. Um dia fadado. Um dia em xeque. Um dia partido. Um dia caído. Um dia proibido. Um dia perdido. ...
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02/02/2012 - Tempo pra esquecer

Indiferente como uma estrela cadente, o tempo passa transformando vivos e mortos. Todos são vítimas da megalomania do tempo, que quer dominar tudo e todos em seus servos, escravos, amantes... O tempo é sempre tempo, não existe ex-tempo. . O tempo passa de mão em mão, mas não fica com ninguém. Mesmo frio e calculista, o tempo desempenha um importante papel na nossa imaginação. Afinal, nossos sonhos e fantasias estão condicionados ao tempo e sua extensa mitologia.

Somos todos temporais, com exceção do próprio tempo, atemporal por natureza. O tempo é o senhor da mobilidade. É o puxador dos fios da nossa vida. Por meio dele chegamos rapidamente a algum destino ou não chegamos a destino algum. Por mais ausente que esteja, o tempo está sempre presente. Por saber da sua falta de limites, esbanja confiança e poder e até mesmo um ar pretensioso. Dependendo de seu humor, rasteja ou voa, deixando-nos pesados ou leves. ...
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01/02/2012 - Desordeiros

Vamos mudar o ar, trocar de lugar, sair em disparate. Vamos desconstruir o óbvio, subverter a ordem, cultivar o caos. Vamos fazer arte, assoviar de trás pra frente, viajar pra Marte. Vamos misturar os escritos, servir poesia em litros, trazer à tona o que ainda não foi dito. Vamos nos tirar do gancho, da tomada, da rede. Vamos ver a vida passar e pedir passagem. Vamos sair de cena e entrar em campo. Vamos desvestir o santo e nos vestir de encanto.

Vamos dançar com as cadeiras, rolar pelas ladeiras, esquecer as canseiras. Vamos abrir os braços ao vento, mergulhar em pensamentos, pular fogueira. Vamos rezar pra primavera chegar logo. Vamos acender uma estrela, beber um drinque chuvoso e dar início a uma nova era. Vamos abrir caminhos e rodar em redemoinhos e nos manchar de vinho. Vamos alterar o ritmo, descobrir um novo logaritmo, fundar um novo sentimento.


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