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Encontrados 110 textos. Exibindo página 1 de 11.
Cadê
O relógio me mata
Me maltrata
Com sua pata
Ou será ponteiro?
Eu, prisioneiro
No gueto
Da tua falta.
Eu, veleiro
Arrastado pela maré alta
Da saudade
Que invade e arde.
A cada minueto
Entre terra lua e sol
O tempo acende uma nova vela
Para comemorar a idade
Da minha solidão
E o que era um curta-metragem
Tua ausência fez novela.
O que era um assobio
Uma bobagem...
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Café ipanema
Ondas enluaradas
Pássaros ao som do luar
Nasciam madrugadas
Estrelas caiam a cantar
Canções de um mesmo tema
Soavam no café ipanema
Num tempo de ilusão.
Um piano, não
Uma poesia, não
Uma aquarela, não
Foi só imaginação
A lua é tão vazia
Morreu a fantasia
Um barquinho, ia
Uma primavera, ia
Um violão, ia
Ia se tornando nostalgia
Naquelas noites
Embriagadas de melodia
Em tão falsas namoradas...
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Calcanhar de aquiles
Será que nunca vou perder esse medo
De perdê-la
Esse sentimento
Que me devora em fartas colheradas
Sou aflição
Sou desassossego
Sou o pecado
Sem perdão.
Estou tranqüilo, e de repente
Me sobe
Uma comichão pela espinha
O peito se aperta
O coração vira contorcionista
E se espreme
Dentro de uma caixinha de fósforo.
Ah! Porque não vem um desejo louco
Montado num cavalo
E me ateia fogo...
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Cálice de sangue
Pétalas vermelhas
Amparadas
Por um cálice de espinhos
Pontuando um corpo magro
Vestido de folhas
E pontas e caminhos.
Um botão
De rosa vermelha
Crivo de ninguém
Um coração
Fora de um peito
Vivo por alguém.
Flor de sangue
Flor de batom
Flor sobre tom
Flor do mangue
Flor sagrada
Consagrada
As suas mãos.
As suas mãos,
Onde estão?
Cálice fundo
Quando se fez noite, desfez-se o drama
Quando tudo ficou quieto, de todo, quieto
A vida que existia lá fora
Tão quieta e imóvel
Aos poucos deixava de existir.
Os que andavam em busca de algo... pararam
Os que bebiam fugindo de alguém... pararam
Os que sonhavam nos delírios de si... pararam
Pararam em face da mulher que nascia
Nascia nos seios frescos da noite
No toque das mãos no ventre do piano
Na sangria dos que não se contentam...
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Cama elástica
Cabelos ao vento
Você
Pulando
Sonhando
Amando
Brincando
De ser você...
Ah! Por que você
Não pode ser você
O tempo todo?
Por que você
Tem que ser
O que os outros querem
Que seja você?
Ah! Rompa
De uma vez
Por todas às vezes
Com o que não é você!
Ah! Quero a mulher
Das conversas mais fundas
Do nascer de um sol
Que nunca foi seu.
Ah! Quero aquela mulher
De tantas mulheres...
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Camaleão
Toda vez
Que a constelação
De camaleão
Surgir
Nos olhos escuros
Do céu,
Saiba que este poeta,
Nu em sentimento e coração,
Vai cumprir
Seu rito
Mais bonito
Ao pedir
Tua mão
Em casamento
Aos deuses
Cegos
Pelas centelhas
Das estrelas
Que amam
Sob pena
De não vê-las.
Camarim
Sei que é covardia
Retirar-me do palco
Antes da última cena
Mas o roteiro mudou
E ninguém me avisou
Que eu teria de beijar
A solidão.
Não!
Vou para detrás das cortinas
Para onde nem mesmo eu me veja
Vou para o escuro da coxia
E que a sorte me proteja
Ao me trancar no camarim
E tomar o resto da fantasia
Que se afoga no seu copo.
A minha última fala
É um longo silêncio
Um quase adeus...
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Campônio
Campônio
De um tempo afim
Laborando o sentimento em mim
Num andar interiorano
Suburbano de um tempo
Sem fim
Longe de casa
Triste ardor
Quebrada asa
Perdido no arrozal
Desconhecedor
Do bem e do mal
Cavaleiro da terra
Braço selvagem
Da lida
Sombreiro que descerra
O sol na descida
Do céu, do mar, da serra
Campônio de um amor camponês
Montado em seu burro xadrez
Vai arando destinos...
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Canaviais
Gemidos de facão
Escorrem com doçura
Sobre as mãos
Que sangram calejadas
O açúcar.
O açúcar
Nas calças rasgadas
Nos braços rabiscados pelas folhas
Nas camisas manchadas
Descosturadas e remendadas
De sangue...
O sol invade sem alarde
Chapéus de palha mal-traçada
Lenços coloridos em preto e branco
Que não projetem a alma
E desvirgina a pele
Que se atordoa e se auto-perdoa
No suor amargo e frio,...
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