Daniel Campos
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Versos

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Encontrados 128 textos. Exibindo página 1 de 13.

27/05/2008 - Protetor

Amo
Amo tanto
E de tanto amor
Saio às estradas
Em tua defesa
Armado com as espadas
De Jorge
De são Jorge
E no meu alforje
Guardo a tua beleza

Sou descobridor
E prisioneiro
Da tua poesia
Sou guerreiro
Sou cavalo
Sou caçador
Da fantasia
Do amor,
De tanto amor
Sou teu vassalo.

Sou a estaca
Que mata teus vampiros
Sou a prata
Que ataca teus lobos...
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21/05/2008 - Pedras, cristais e estrelas

Riba sentimento lá
Arrebata vento acolá
Olha a fita de dona sinhá
E a birita toma lá da cá

O céu se abriu
Como um funil
E o pára-quedas
Caiu
Com a menina das pedras
De abril

E chuva passageira
Chuva de cantoneira
Algazarra da cigarra
Mãe gentil

Pelo corpo da menina dos cristais
De sete vidas que não voltam mais
Mia daqui
Mia dali
Sorri
Estamos em Minas Gerais...
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06/04/2008 - Porque a chuva virá

Há um sapo assobiando na beira do igarapé, porque a chuva virá.

Há uma cigarra morrendo, se esvaindo de tanto cantar, porque a chuva virá.

Há um ovo no muro, enfeitiçando o sol, porque a chuva virá.

Há um cachorro debaixo da cama, porque a chuva virá.

Há quem tente salvar o pouco que tem, porque a chuva virá.

Há corpos ardentes flagrados pelos clarões, porque a chuva virá.

Há uma algazarra de pássaros, porque a chuva virá. ...
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Pai

Minha boca se enche das coisas que afloram do meu peito
Sentimentos que aguardam o corpo das palavras
Palavras que fazem da poesia existente um outro poema
Sentimentos expostos como fraturas expostas
Onde a carne é feita de palavras
Onde os ossos são feitos de palavras
Onde a dor e o amor e tudo mais são palavras
Feitas e refeitas a todo o momento
Tentando definir o que o dicionário não diz
O que só existe na plena e sublime razão
De aclamar-lhe, saudar-lhe e lhe agradecer...
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Paisagem indefinida

Os fios elétricos dos postes
Riscam o céu com suas linhas
Negras cortando as nuvens inchadas
E sozinhas
Que são trazidas no colo do vento
Como bem amadas.

Vento que sacode as folhas
De uma arvorezinha qualquer
Vento que venta um verde-azul
Na saia rodada
De uma mulher do sul.

E no inferno do último monge
A minha vista se perde ao longe
Para além dos postes, dos fios
Das folhas, dos arrepios, das nuvens....
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Palavras

Debruce o seu olhar
E devagar
Vá lendo
Sentindo
As palavras
Que fui lhe escrevendo
Que fui lhe esculpindo
Tentando capturar
Nos meus versos
Você sorrindo
E gostando.

Ao rabiscar
Essas palavras
Você foi surgindo
No poema
De um poeta inspirado
Amargurado
Enluarado
Que lhe procura em palavras
Que lhe cultua em palavras
Que sonha em palavras
Que não se apagam...
...
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Palavras mudas

Como definir o que não tem definição?
Uma união de vidas
Que rima tristeza e felicidade
Tendo a única certeza
De deixar saudade
Mesmo não havendo despedidas.
Amar é um olhar
Que se entrelaça em outro olhar
Sem mais razões.
Amar é chorar a lágrima alheia
Abrir seu peito a outra pessoa
E sorrir na boca amada
Não pensando em mais nada
Nada senão ela, somente ela.
Amar é quando o infinito e o eterno
Perdem seus valores...
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Palmos daqui

Foge do pôr-do-sol
Esconde-se em fumaças
Não ouve mais os grilos
O estralar de um canário
A chuva caindo nas telhas
Da parede de meia.

Por mais que se emudeça
Não consegue a quietude
Não anda descalça pela terra
Ao olhar pela janela
Não vê muito além de alguns palmos
Tem os punhos soltos
E a alma prisioneira.

A rosa não é mais rosa
O horizonte não é mais azul
A lua não é mais branca...
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Papel carbono

Eu abono
A sua falta
Eu, papel carbono,
Tenho seus gestos
Nas minhas línguas,
Tenho seus gostos
Nos meus braços
Embora a falta dos seus abraços
Tragam-me ínguas
De saudade
E você ainda diga
Sem parar, com todos os apostos,
Que eu
Que eu não
Que eu não presto
Para ser seu par.

Você que não tem dono
Que me perturba o sono
Não admite
Não permite
Um papel carbono
Que rouba o seu mundo...
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Papel crepom

Céu azul
Sem graça
Sem aviões
Sem fumaça
Esparrama-se
Solitário
Pelos pontos cardeais
Dos casais
E corta como vidro.

Céu azul
De tão sozinho
Tenta se jogar ao mar
De golfinhos
E se arranha nos prédios
E se desfigura
E sente um mal estar
Uma ressaca
Uma tontura de solidão.

Céu azul
Campo aberto
Infinito
Que se recolhe
E se encolhe
E escorre
Feito chuva seca...
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