Daniel Campos
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Encontrados 128 textos. Exibindo página 5 de 13.

Perdões, desculpas e etc

Me perdoa
Pela falta de uma boa
Notícia
Alias, me perdoa
Pela falta de notícias
Não foi por malícia
Me perdoa
Pelas cartas que eu lhe escrevi
E só eu li
Me perdoa
Pelos cartões postais
Que nunca foram longe demais
Me perdoa
Pelos telefonemas
Que lhe disseram os silêncios
Dos meus poemas
Me perdoa
Esse pedido
Que lhe soa
Um tanto sem sentido
Me perdoa
Pelo sacrifício...
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Peregrinação

Às vezes é tempo de recomeçar
O momento exato de tentar de novo
Quem sabe agora se com mais cuidado
Entregando-se ao objetivo com todo prazer.
Lembra dos erros e se foi bom, erra novamente.
Trilha o mesmo caminho
Só que agora com outros passos.
Certas pegadas certamente irão se coincidir
Mas será mais uma brincadeira do destino.
Deve-se, na nova etapa, saber o passado
E não mais carregá-lo nos ombros.
Deixa de lado sonhos, livros, conversas tolas...
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Perícia-me

De repente tão somente
Tem meu coração
Vão a vão
Frente a frente
Colocado à lente
Dos seus olhares.
Leva-o por onde for
Despetáleo como sangue em flor
Borda-o no teu peito
Faz dele de todos os lugares
Teu último leito
Mas não o tortura
Com fartura
De solidão,
Ele não é feito de vinho
Ele não é feito de pão
Ele não pulsa sozinho
Nem se alimenta de não
Ele só necessita
Da sua visita...
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Perjuras

Vida eu te quero morte
Sendo para desfalecer
Morro, não sou tão forte
A viver ao padecer
Ah! Eu quero-a
Que se chama ilusão
Ela toda bela
Pulsando meu coração.
Ela deleite e enfeite
Sensual e delicada
Vidro-a por mais que tente
E fuja desvairada.
Só ela sabe ser assim
Só ela me faz assim
Vivendo quase morto
Falecendo de amar
Andando meio torto
De tanto a olhar
Olha-la pelas ruas
Defronte as luas...
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Pernoite

Pode chegar
O endereço está na carta
A esperança está na carta
A saudade está na carta
E tudo mais está fora das cartas
Fora do jogo
Fora de naipe.

A porta está destrancada
A sua parte do guarda-roupa está vazia
A sua sobremesa está na geladeira
E eu me conjugo em todas as pessoas
Postas e depostas no verbo esperar,
Entre peões torres e bispos
O rei está em xeque
E a rainha está pra chegar.


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Perseverança

Pela décima vez
Vou tentar negociar
Um final feliz
Para o tempo
Em que eu queria
E você não quis.


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Perto

Nem tão longe assim
Em alguma memória
Refugiada

Nem tão longe assim
Em alguma história
Não terminada

Nem tão longe assim
Deve haver
Um pedaço de mim
A naufragar
Pelos seus dias mais vazios

Um pedaço de mim
A lhe causar calafrios
Nas horas mais revoltas
Do seu pensamento

Um pedaço de mim
A lhe fazer propostas
De casamento.






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Perto e vazia

Às vezes a vida se mostra perto e vazia
E em todas as outras vezes
Faz-se tanta e impossível

E não são olhos sem rumo
E não são copos vazios
E não são as bocas que se confundiram
E não são loucuras, premonições
Ou qualquer outra coisa que esteja dentro de alguém

Simplesmente, nesses momentos, faz-se noite
Independente se enxerga-se o sol
Soberano lá fora

Faz-se noite
E deve estar por perto
Mesmo que pareça tão longe...
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Pés de ramos

No contrapé
Da realidade
Deixei a cidade
Da paixão
E me lancei
Em uma sonda
Às ondas
Da maré
Onde a imaginação
Da vida
É servida
Em postas
De canapé.

As costas
De seus pés
Levam-me pelas estradas de Viena
Em vielas
Em poemas
De cabriolé
Vou indo vou vindo
De leste a oeste
Pelas tabelas
Vou pela sua tatuagem
Nas voltas de uma carruagem...
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Piano só

A saudade
É a maldade
De um piano só
Caído no choro da vela
Como a perna de um dó
Pendurada na partitura
Amarela
Do seu decote dominó
A saudade
Provoca tontura
E enclausura
Numa espécie de xilindró
Onde o amor curió
Canta nossa cavalgadura
Pela terra
Dos afluentes do tapajó
E da paixão de um faraó
Que berra
Em nossos ouvidos
O tom dos gemidos
Do prazer do amanhecer...
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