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Encontrados 15 textos. Exibindo página 1 de 2.
Gafieira
Um piston
Uma chuva
Uma ou mais
Notas
Escorrendo
Pelas calhas
No silêncio
De vozes.
Não me lembro a letra
O autor
Ou o poeta
Lembro apenas
Que as notas
Respingam
Num porta-retrato
Vazio
Onde imagino
Existir
Uma foto.
Não sei se ela
Gosta
Ou acha triste
A melodia
Só sei
Que as notas
Escorrem
Ora das nuvens
Oras dos olhos...
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Galáxias
Quantas as galáxias
Que se estendem pelos quatro hemisférios?
Quantas vidas
Não se escondem no deserto escuro?
Quantas estrelas
São tristes porque não sabemos que existem?
Estrelas que brilham a luz vã
Que ilumina o nada
Vivem no buraco negro de olhos
Não vêem
Não são vistas.
Estrelas,
Por que não sabê-las?
Estrelas do caos
E da depressão
Estrelas solitárias
E virgens
De olhares e outros amares....
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Galho de mamona
Durmo
Em seu colo
Enquanto oro
E me amolo
Na linha do sumo
Dos seus olhos laranja.
Eu amo em solo
E me enrolo
Na franja do desejo
Que me esfolha
Folha a folha
E de repente, vem um vento
E me desfolha.
E como parte da fantasia
E como minha dona
Sopra minha poesia
Num galho de mamona
Colocando-me a bordo
De uma bolha
De sabão
Soprando-me ao bombordo...
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Ganhadores e vencidos
O dia passou
E entre anoitecidos
Há ganhadores
E vencidos.
Há quem ganhou uma flor
E quem perdeu a primavera.
Há quem ganhou um sabor
E quem perdeu uma espera.
E entre perdas e ganhos
O nosso senhor tamanho
Foi o tempo
Que levou uma flor
Que trouxe primavera
Que levou sabor
Que trouxe espera.
O dia passou
E entre anoitecidos
Há ganhadores
E perdidos.
Gérbera
Como se a taça do dia
Derramasse nos confins da noite
Tons e mais tons
De um mesmo amarelo
A noite se manchou
Do caramelo
Que não se desmanchou.
Amarelo não perdeu a cor
Continuou nas voltas
Do redemoinho
Que o vento da tarde soprou.
E o tempo amarelado
Borrou uma cor entardecida
Nas maçãs de uma lua
Envergonhada.
Gerúndio
A rede balançando sozinha na varanda
O gado mugindo como manchas no pasto
O cheiro de capim molhando a última chuva
O céu rabiscando a si próprio ao fim da tarde
O cachorro correndo em busca do nada
A brasa do fogão à lenha cheirando pão
A gordura borbulhando bolinhos de chuva
O café preto acompanhando o leite
A bem-te-vi cantando diferente
O trator arando uma terra empoeirada
O canto se despedindo do galo carijó
Os pés andando descalços no carreador...
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Gestos, gestações
Vinda
Das minhas alucinações
Em noite alta
Seja bem-vinda
Em minhas paixões
Caminha pela minha prancha
Que sou teu pirata
Ah! Acata
Meus versos
Como quem cata
Conchas
Em praias do mar reverso
Enquanto sonha
Ao farol
Que ilumina a vela
Do barco
Que flexiona
O amor
Num arco
Que corta o céu
Na lâmina de uma flecha
Amanhecendo o dia
Em tuas mechas...
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Gibi
E se eu fosse herói
E enfrentasse
Aquele bandido
Dos filmes que você não gosta de assistir
E se eu salvasse
Aquela sua orquídea preferida
De uma explosão nuclear
Será que você
Agradeceria-me
Ou teria pena do bandido
E ódio da orquídea
Ao ponto
De mandá-la com um cartão em branco
Para meu endereço
Ao tempo pronto
De sair de braço dado
Com o bandido
Ao som de um final feliz.
Gingado
Vento
Ventou
Ventou poeira
Quando você passou
Segunda-feira
Virou
Sexta-feira.
Vento
Ventou
Ventou poeira
Quando você passou
Mundo
Ficou sem eira nem beira.
Vento
Ventou
Ventou poeira
Quando você passou
São João
Acendeu a fogueira.
Vento
Ventou
Ventou poeira
Quando você passou
Abelha
Zumbiu na colmeeira.
...
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Gole a gole
Quando o sol se por
Na escuridão de uma lua
E lhe propor
Uma madrugada crua
Bruta e interrupta
Que ficará nua
Em suas mãos,
Silencie-se
Não diga nada
Tampouco faça.
Debruça
E soluça
No copo vazio
Da criatura amada
E sem mais desvario
Beba
Gole a gole,
Sinta-a e a beba
Sentindo todo o perfume
Que o mata de ciúme.
Sem perceber
Será parte de seu corpo...
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