Daniel Campos
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Encontrados 1244 textos. Exibindo página 3 de 125.

A mulher de direito

A mulher de direito
Cria leis
Dita regras
E tem olhos
De código penal.
A mulher de direito
Não gosta
Do mal-feito
E defende o amor
- Um réu piegas -
Sozinha no tribunal
Diante de um crime passional.

A mulher de direito
Faz amor de toga
E pratica ioga
Para se livrar do mal
Do malfeito
E do imoral.

A mulher de direito
Tem artigos
Parágrafos e teorias...
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Comentários Comentários (3)

A mulher de machu picchu

Por detrás do portal do sol
Desvirgina-se
A mulher de machu picchu
Aprisionada pelo último imperador inca
Teve suas asas cortadas
E sua vida condenada
A mais de dois mil metros de altura.

Diante da escolha de ficar
Ou se jogar da velha montanha
Resistiu ao tempo
E foi eleita rainha daqueles templos, praças
E corpos mumificados
Que um dia
Desejaram-na enquanto amada.

No seio da velha montanha...
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A mulher dos druidas

Ah! Onde estão os druidas
Será que brincam nos seus cabelos
Será que vão pelo deserto dos camelos
Será o que será das nossas vidas
O que acontece acontecerá
O que vai ser será
Não adianta se esconder
Não adianta deixar de me dizer
Meu coração em catedral
Eu e você cordão umbilical
Ah! Coração catedrático
Ah! Coração enfático
Ah! Coração matemático
Calcula a saudade
Numa fração sem idade
De número irracional...
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A mulher que eu amo

A mulher que eu amo
Se equilibra
Num arame de pano
Entre o humano
E o mistério.

Em seus olhos,
O redemoinho
De mil planos
E no caminho
De seu sexo,
A água e o óleo
De um monastério
Perplexo
De silêncio e segredo.

O tempo da mulher que eu amo
É o exato momento
Que há entre a tarde e o cedo
De um sentimento
Sacro e profano.

A ela, os anjos em guarda...
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A mulher que leva um chocolate

A mulher que leva um chocolate em suas mãos
Leva um segredo, leva um mistério, leva um destino que nem ela conhece.
É como se o impossível deixasse de existir
Nas mãos que ganham movimentos exatos, lentos, abstratos
Ao despir o chocolate com a delicadeza de uma assassina.
Mansa e solitariamente,
O silêncio percorre as mãos e se alastra por todo o corpo
Da mulher que leva um chocolate em seus olhos.
Olhares de carinho e pecado
Trocados feito amor que já não existe....
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A mulher que me habita

Eu não sei,
Não sei o que me habita,
O que me arde por dentro,
O que me consome,
Só sei que teu nome
É chama
Que chama todo meu sentimento.

Eu não sei,
Não sei o que me habita
O que me ata e desata
O que me provoca e sufoca
O que me entontece e enlouquece
Só sei que não existo longe
E tão longe de você.

Eu não sei,
Não sei o que me habita
E me leva a caminhar
Nas linhas das tuas mãos, ...
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A mulher que não passa

Ah! Por onde passam os passos da mulher que não passa
Passam-se os dias, as semanas, as estações do ano
Em equinócios e solstícios,
Mas a mulher que me habita não passa...
A cada instante aumenta o ardume
Provocado pela poesia que não passa
A falta dessa mulher causa dores nas costas,
Insônia e marcas por todo o corpo,
Além de doses homeopáticas de ciúme...
Que mulher é essa que some no silêncio
Tão logo se arremessa na noite fria...
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A mulher que não se sabe

Nada é pior do que não se saber a mulher amada.
Se você a vê, ao menos de longe, sabe que ela existe.
No entanto, se ela surge só em pensamentos, eis o perigo:
A linha entre saudade e loucura é fina demais,
Ela pode estar em um penhasco ou em um apartamento
Que não nos traz nenhum sentido.

A distância talvez seja a maior das traições
Ainda mais quando ela não deixa caminhos...
E assim se faz a mulher que não se sabe
Distante e presente, ao mesmo tempo,...
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A rosa e o cravo

Corto os pulsos
Tusso
Um amor comprido

Ardo-te em maleita
Entro na tua seita
E faço-te meu comprimido

Pulo muro
Rolo do telhado
Esqueço meu passado

Furo
O teu peito
Com minha lança
Deito no teu parapeito
E sonho feito criança

Sou o teu mal
Teu juízo final
Sou teu confete
O teu grito de carnaval

Sou a gilete
Que fere e lhe depila...
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A rosa e o linho

Vem
Deixa eu me esconder
Em teus pelos
Vem e ouve
Ouve meus apelos
Deixa eu te fazer
De escravo
Mostra-me tuas costas
Que eu cravo
Minhas unhas
Nas postas
Das suas asas
Ah! Deixa-me mergulhar
Nas casas
Dos botões
Da tua camisa
E me vestir no seu suor
Vamos, saia pela brisa
Como vento solto
E me deixe
Caçar-te
Com meus arpões
Vem ser mais uma marca...
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