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Encontrados 1244 textos. Exibindo página 4 de 125.
A senhora e o anjo
Senhora
Senhora soberana
Suburbana
Deste mundo vil
O anjo
A proclama
Senhora de anil
Sobre teu véu
Escorre o céu
Sobre teu manto
Morre o pranto
De que já
Sofreu
E de quem há
De chorar
Um sonho teu
Senhora
Senhora altíssima
Meritíssima
Desta santa ceia
O anjo
A nomeia
Belíssima
Reina no jardim dos bem-te-vis...
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A tua lei
Sob a tua lei
Vou
Vou
Voltarei
Sempre que eu for
Em flor
Dizer que a amei
Eu vou
Eu vou
Eu voltarei
Sempre que eu vier
E amor lhe trouxer
Eu hei de propor
Eu vou
Eu vou
Eu voltarei
Mesmo com dor
E anunciarei
Que eu vou
Eu vou
Eu voltarei
Como que não sei
Onde estarei
E o que sou
Mas eu vou
Mas eu vou
Mas eu voltarei
A me achar...
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A última ceia
A relação entre o ser que ama e a criatura amada
Deve ser de antropofagia
Intensa
Ou, na língua, mais popular
De um canibalismo
Explícito.
Quem ama
Há de se alimentar da alma
E da carne da pessoa amada
Como em um ritual religioso
Em seu ponto máximo
De prazer, há de se comer
A parte abstrata do ser amado
Como sonhos, desejos e ilusões
Além do sangue das partes mais secretas.
Que o único talher utilizado...
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Abajur
Quando a noite chegar
E me cobrir de silêncios
Acenderei o abajur
E a luz da noite
Escorrerá negra
Sobre a lâmpada
Da cabeceira
Da cama.
Sob essa luz
Lerei minhas saudades
Em beijos não dados
Em juras desentendidas
Em olhares calados
E nas mãos incompreendidas
Lerei os versos do tempo.
Aberta a temporada para esquecer
Esquece
Enquanto te lembro
De deixar de sofrer.
Esquece enquanto te deixo
Me deixar esquecer.
Esquece o que somos
Se nós o fomos
Algum dia.
Esquece o que disse
Sé é que escutou
Esquece o que leu
E o que pensou
Esquece.
Esquece
Enquanto morro
Nas lembranças que nunca quis morrer
Esquece
Porque já é tempo
De esquecer.
Absoluto querer
Esconda as lágrimas que eu lhe deixei
Debaixo dos sete lençóis da cama
Faça de um sonho feliz a sua lei
Esquece o mundo lá fora e me ama
Esqueça os sentidos em fá gemidos
Aterradores, chama-me pirata
Assassino, bandido aos meus ouvidos
Me ama, me mata, mas nunca me falta
Deixa-me queimar em suas labaredas
Seja meu inferno, quebra meu decoro
Deixa-me andar a pé por tuas veredas
Seja fel, sorva mel, faça-me perder...
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Abusada
É abuso
Me fazer
Encarar
O fim
A cada dia.
É abuso
Dizer
Que é a parte
De mim
Chamada alegria.
É abuso
Querer
Que tudo
Enfim
Acabe em poesia.
É melhor
Desfazer
Desdizer
Desquerer
Enfim
O fim
De mim.
Acabado
Acabou...
É inútil dizer
Mas acabou.
Elas me doparam
Elas me enganaram
Elas me levaram
E quando acordei
Eu só sabia
Que amei
E que acabou.
E eu não pude nada,
Acabou...
Até o choro
Ficou velho,
Até o grito
Perdeu o sentido
Porque acabou...
Ou melhor
Ou pior,
Acabaram
Por mim.
Acácias
A rua escura tem mais luz do que aparenta
Nas bocas das pessoas que não sabem o que dizer
A rua escura tem a noite que adentra
Andando, andando, andando sem saber
A rua escura pode ser
As mãos que não se encontram
Os olhos que não se encontram
As bocas que não se encontram
Na forma clara, clara, clara
Que não tem cara
A rua pode ser um vão
Uma curva, uma esquina
Um mar, um chapadão
Algo além dessa messalina escuridão
A rua escura pode ser o não...
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Açoite
Entre lagos
Árvores e pedras
Ela se contorce
E se esconde.
Os cães
Alguma conversa
A grama fresca
Um silêncio inquieto
A constante ansiedade
Um tiro ao longe
E suas roupas
Nos galhos dependurados.
Aflições
Passos e mais passos
O desejo de não voltar
Poucas lágrimas
Seus soluços entardecendo
Seus cabelos molhados
A água nas costas nuas
O desespero previsto
E goles secos de angústia....
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