Daniel Campos
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Encontrados 39 textos. Exibindo página 4 de 4.

Bolha de sabão

A noite nos pede perdão
Lança suas tranças
E nos convida para subir...
Ao primeiro vento
A gente flutua
Presos em uma bolha de sabão...
E nos enroscamos
Em uma linha
De pipa, papagaio, maranhão...
Só depois vamos pousar
Na mão
Do adeus
Que ainda plaina no ar
Gigante como um balão...

E se esse adeus for seu...
E se esse adeus for meu...
De quem será o primeiro não?


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Bom dia

Seus lábios expostos
À luz branda do sol
Da manhã

Alguns pássaros
Tentam entender essa conversa
Mas desistem e cantam

O dia chega
E tenho a impressão
De que ela é a primeira
Visita de um sol

Nascente de sua janela
Nascente do seu íntimo
Nascente de sua boca

O sol e sua beleza
Violeta
Caminhando por entre
E dentro e dentre pensamentos
Aquecendo a pele...
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Bom parto

É hora de se voltar
Com todo cuidado
Aos sonhos que resistiram
Aos sonhos que não se calaram
Aos sonhos que continuaram
A habitar
Um coração
Muitos foram os duelos
Grandes foram as batalhas
E de tantos sonhos em fronte
Um se consagrou herói
Ao vencer o tempo...

O tempo e seus dragões...
O tempo e suas metáforas...
O tempo e suas torturas...

Ah! Como vale a pena
Saber que o nosso sonho...
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Bomboniere

Bala
Pirulito
Goma de mascar...
Que mundo é esse em que a mulher
Amada de fato e de direito
Se transforma em menina
E brinca e rola e goza
Em caramelos
E machimelos.
Em seu tabuleiro
Mais secreto
De pensamentos
Ela guarda um sonho de açúcar.
Ela que se levanta
No meio da noite
Na ponta do pé
E se entrega
A um amor de confete.
E entre bombons
De cereja
E de desejo...
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Boneca de Pano

Pelas costas
De uma mulher
Se esvai
O dia
O vento se aquieta
O terreiro se esvazia
E minha poesia
Recai
Prenha
Sobre a lenha
Em brasa de um fogão

E no céu
De pólvora
Sobe um balão
Que não se sabe se é uma lua
Junina
Ou se é o sinal
De um novo parque de diversão

Lá longe
Dos retalhos das colchas
Os grilos
Se amam
Roçando suas coxas...
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Boulevards

Deixa eu lhe seguir
Pelos boulevards
Pelas ruas sem saída
Pelos mares de Atlântida
A cidade proibida.
Deixa eu lhe seguir
Deixa eu lhe pedir
Deixa eu lhe sorrir
Até que suas pegadas
Sejam noites enluaradas.
Deixa eu lhe seguir
E lhe compor
Um choro
E lhe propor
Um outro caminho
Com tijolos de ouro.

Deixa eu lhe seguir
Como aventureiro
E aprendiz
Seguir-lhe como se seu
Rastro fosse...
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Brasília

Do alto da asa norte
Tudo se faz de ilusão
A torre é de tricô
A praça é de pedra
A catedral é de trigo...

Do alto da asa norte
Os jardins suspensos
Feitos de flores d?água
E de outros desejos
Se desprendem de vez...

Do alto da asa norte
O cheiro de cafés
Distantes
Flutua ainda mais forte
Pela varanda.

Do alto da asa norte
Ouve-se uma valsinha
E cubos de gelo
Se debatem de calor...
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Brevidade

Breve é a mulher
Que some
Antes de se acabarem os suspiros,
Quando surge
Surge como um escândalo
Quando se percebe
Mal cabe em nossos olhos
Faz uma pausa no andar
Faz uma graça tão natural
Que não percebe o giro
Que ela obriga aos nossos pescoços.
Em momento algum olha,
Mas em todos os outros
Olha indiretamente
E quando parece que ela nunca
Mais vai sair dali
Tombada como patrimônio da beleza...
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Buquê de eus

Por onde andam seus eus?
Pra quem os conta?
Pra quem os diz?
Se é que os diz...
Será que não mais
Os quis
Ou será que os guarda
Num tempo
Num tempo atrás?
Com quem conversa
Essa língua tão nossa?
E se o vento ousar
Levar
Um de seus eus,
Será que ele vai me procurar
Pra me mal-dizer
Seu amor demais?
Não adianta prender seus eus
Não adianta destruir seus eus
Só o tempo os refaz.
Ninguém...
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