Daniel Campos
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Encontrados 196 textos. Exibindo página 1 de 20.

Sábado nº 2

O sábado já se prepara para anoitecer
As árvores já ficam com as folhas mais escuras
As nuvens de algodão já se deitam lá pelos lados do horizonte
As pessoas já andam mais devagar
Já há quem espere pela lua (mas mulheres já e sempre demoram a chegar)
Um beija-flor já procura a última flor do dia
As conversas já tratam o sábado como passado
Tudo já anoitece
Enquanto a saudade já amanhece em mim...


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Sabatina

Que horas você acorda?
Aonde você almoça?
Qual o seu doce predileto?
Em que cálice você conta um pouco mais de você?
Quando vamos nos ver?
Por que você se foi?
Por onde você sonha?
Como você me ama?
Faz tempo que você dormiu?
Em qual ilha você hora?
Há ao menos uma probabilidade?
Quantas lembranças você guardou e quantas jogou fora?
Já é tarde pra você?
Você me chamou ou me mandou embora?
Para quem você se veste?...
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Sabiá

Luzes da ribalta
Das penas dos oitis
Dos orixás
Que iluminam
O rosto
De uma sabiá
Que não quer mais voltar
De lá
De lá
De lá...

De lá de trás do mundo
De lá
De lá
De lá
De lá onde vivem amantes vagabundos
Sabiá
A sabiá
Sabiá
Voou cansada de viver
Amores de segundos
Paixões de vira-mundos
Romances de fundos
De palco...

A sabiá
Que não quer mais voltar...
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Sacrário

Se eu pedir
Pelo amor desse deus
Que tanto bendiz
E que não sei onde se esconde
Será que você vem
A minha procura
Ou será mais uma das promessas
Dessas sem cura.

Se acredita nesse deus
Que não sei quem é
Por que não confessa
Todo amor que lhe dei...
Se for para jejuar
Jejuei
Se for por sacrilégios
Sacrifiquei
Se for para amar
Amei
E agora, sem rezas, não sei.

Não me sei...
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Sal saudade

A saudade é uma coisa estranha
Não se define, mas se sente
De forma indescritivelmente concreta
E há diversos tipos de saudade ou de sentir saudade
Há a saudade da perda, física ou de espaço
Quando se está longe de alguém
E até a saudade do que nunca se teve
Mas achou pensou sonhou que um dia o teve.
A saudade pode vir quando estamos sozinhos
Ou no meio de uma multidão
Quando desejamos
Ou quando sentimos medo
Pode até tentar fugir dela,...
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Salmoura

A vida deita seu corpo na terra fresca
Nos desertos do nada, ecoa gemidos
E deixa escorrer o suor
E grita a dor do prazer
E cerra os dentes nas contrações
E soluça desconsolada
E, envolta de solidão, chora.
No rosto de traços nervosos
Debruça-se a água de salmoura
O momento está para acontecer
Não há frascos de sol
Nem cálices de lua
Não se sabe se é claro
Ou as sombras saem dos cantos.
Tudo se envolve num tom avermelhado...
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Saltos cardíacos

Assumo
A sua ausência
Em meus dias
E sumo
Numa dormência
Que me alivia
E finge
E frigi
Suas insinuações
Nos porões
Da minha memória
E me faz sonhar
E me faz contar
Uma outra história
Que não fale de amor
E solidão
Que não fale de pavor
E perdão
Que não fale de espera
E da tapera
Onde mora
Um coração
Que chora
E quando quer
Salta
À boca...
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Samba

De verde e branco
A encontrei
Feito passista da Imperatriz
E lhe amei
Mas meu carnaval
Não foi feliz
Malandro esperei
O seu branco
Virar flor
Então de verde e rosa
A encontrei
Feito passista da Mangueira
E lhe amei
Nas cinzas de quarta-feira.


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Samba -enredo

O amor nasceu
O amor nasceu
De um sorriso
Em flor
E nem foi preciso
O esforço
De um encantador
Pra se encantar
Tão logo o sol amanheceu
Seu coração
Caiu nos braços do luar.
A lua, fêmea inquieta
No ardor de uma canção
Escorregou pelas estrelas
E beijou o sol
Que se tornou poeta
O mundo se estendeu
Na paixão do sol
Na ilusão da lua
E ninguém mais entendeu
Quando era noite
Quando era dia...
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Samba da mesa

O sol vestido de domingo
Nos convidou
Aceite quem do convite gostou
Na casa da dona oféllia
Vai ter um banquete
A gente não pode faltar
Na mesa o macarrão
Lagarto, frango e batata
Palavras em serentata
Do seu antonio a relembar, relembrar
Sem falar no arroz, virado e salada
E aquela risada
Não, não vai faltar
Vem voando creminho branco
E alguém querendo roubar
A gelatina colorida
Samba em despedida
Alegrando a vida, ah...
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