Daniel Campos
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Encontrados 18 textos. Exibindo página 2 de 2.

Bodas de vida

Cinqüenta. 50 tardes. 50 músicas. 50 encontros. 50 olhares. 50 anos de amor, amizade,..., devoção. 50 anos em que a vida já se faz infinita por si só. Quantas rosas floresceram ao longo dessa caminhada? Quantas as pétalas? Quantos os espinhos? Uma rosa que no início se equilibrava em uma rama tão frágil. Mas a beleza sempre triunfa e a rosa que se vê murcha, já doa sua vida a outro botão.

Cinqüenta anos em que uma roseira floresce seus botões com uma beleza diferente a cada dia. Floresce com novas esperanças e promessas. 50 anos onde uma vida se entrega a outra em plena devoção. Quantas mãos sonharam chegar juntas aos cinqüenta anos? Amores que nascem em frações de segundo e que perduram pela vida toda como se fossem algo mágico. Uma magia que permite, a cada dia, que os olhos se cruzem e tenham a certeza de que tudo valeu a pena. ...
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17/04/2008 - Boi da cara preta

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Boi boi boi, boi da cara preta pega essa criança que tem medo de careta.

Pode parar de cantar. Eu não vou dormir. Estou assustado com as caretas dessa gente ai. Não vou fechar os olhos com tantos piratas, falsários e donos da corrupção aprontando por aqui e por ali. Cuidado! Tem que abrir o olho e gritar pega ladrão. Estão roubando minha carteira, minha feira, minha beira de chão. Tão metendo a mão, de cara limpa, no futuro da civilização. Tão levando nosso ar, nossa água, nosso mato, nossa chuva, nosso sapato, nosso pulmão. É muita raposa para pouca uva. Tão nos tirando o futuro, tão levando nosso mundo seguro e nos cercando com um muro de sofreguidão. ...
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Bonecas

Ela, do alto de sua meninice, estatela os olhos diante das vitrines de uma loja de brinquedos. Entorta o pescoço pra lá, a cintura pra acolá e fica na ponta dos pés só para conseguir enxergar melhor a vida por detrás daquele vidro. Chega a ficar com os olhos parados e esquecer de todas as preocupações mundanas. Mas qual era o mundo daquela menina de seis anos senão os brinquedos? Mas sua mãe parecia não entender. A mãe tinha uma reunião com a diretoria da empresa, um telefonema para o exterior, uma aula de primeiro socorros para a renovação de sua carteira de motorista, uma massagem, um almoço com o pessoal da turma de espanhol e... ...
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11/11/2008 - Borboleta amarela

Quando uma borboleta amarela pousar no teu ombro é sinal de que o dia já vem. Mas não o dia dos relógios, dos calendários, dos cotidianos. Falo de um dia especial, que não sabe se é sol ou lua. Quem sabe os dois dividindo o mesmo céu ou a mesma terra ou o mesmo mar. Ah! Enquanto voa, essa borboleta de asas amareladas vai mexendo com as marés, com as sementes, com os cabelos que são de pólen, que são de néctar. Asas de ouro, asas de trigo, asas de mel.

Magicamente, o pó de suas asas cega nossos olhos para tudo o que não for poesia. E aquele balé no céu vai deixando cada vez mais clara a poética da vida. E eu aprendi na escola que amarelo com azul dá verde. E verde é a esperança que se espalha pelas chuvas de novembro. Pena que muitas não vivem mais do que um dia. Pena que muitas são seduzidas pelas redes dos caçadores. Pena que muitas sintam o alfinete afixando seu corpo a um quadro morto. ...
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14/11/2008 - Brasas e cinzas

Nada está no lugar. Tudo ficou para trás. À frente, a estrada é escura e fria. Será que eu vou ter de ir sozinho? Apocalipse. Juízo Final. Pedras na cruz. Onde está o fim de tudo isso? Quantos passageiros já passaram? Quantas estrelas cadentes já caíram? Quantos ventos já ventaram por essa estrada, doída e cega? Quem vai acreditar, nesse andarilho sem tempo nem lugar. Andarilho que anda pelos trilhos no estribilho de um verso maltrapilho de si mesmo.

Ah! Quanto tempo faz que eu amei demais e continuo amando, adorando e me entregando a esse amor terrestre. Você é o muro e eu sou o cipreste, que vai crescendo, envolvendo, sufocando, aprisionando, abraçando o mundo entre nós dois. Ah! E o mundo sem você é uma falta de lugar, é um des-porquê, é um desesperar. Minhas pegadas bóiam na falta de fé, porque não há mais de seu chão para meus pés. Meu olhar é noite eterna, procurando-te em meio à escuridão que me deixou....
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Brasil sem rosto

"Eu vi o menino correndo, eu vi o tempo brincando ao redor daquele menino". Menino que nasceu no finalzinho do século passado e ainda não encontrou o seu rosto. Menino que se vê frente a frente com uma tecnologia avançada, cada vez mais longe do humano. Menino, analfabeto de informática. Menino que fala "I love you" e não sabe o que é amar.

Menino da liberdade de pensamento, de expressão, de comunicação. Menino que não sabe a ditadura. Militares, exílios, lutas, ideais,..., ficaram presos nas histórias que não contam mais. Menino que se acha envolto de paz. Menino que nunca cantou pela liberdade com Geraldo Vandré. Menino que sempre esteve livre. Os pássaros são livres até que se debatam contra os arames da gaiola. Menino, prisioneiro de um mundo de mentiras....
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Brasil: a grife da miséria


"Reze pelo Haiti, chore pelo Haiti, o Haiti é aqui, o Haiti não é aqui". Como esquecer os versos de Caetano quando o sentimento é o mesmo. Haiti? Brasil: país emergente, país do futuro, país das promessas e do crescente abismo social. Ricos, pobres (antigamente conhecidos como classe média) e miseráveis. Três classes, três sinas, três faces e um país.

Caro(a) leitor(a), creio que nunca sentiu a fome consumindo seu corpo, ainda tem um lugar para morar e uma renda que lhe permite viver, independentemente de quais forem as condições, mas permite. Entretanto deve ter percebido que a miséria está mais próxima. Basta andar pelas calçadas, principalmente as do centro da cidade, para perceber que não terá mais o mesmo passo despreocupado enquanto pensa longe ou admira alguma vitrine. Ao caminhar somos obrigados a desviar, não das pessoas que andam na direção contrária, mas das que fazem da calçada um ?ponto de esmolas?. Quantas as mãos estendidas, vazias e ociosas que pendem em nossa direção em busca de centavos de reais. Mãos da esmola....
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28/07/2008 - Burocratizaram o mundo!

Antigamente, o ato de viver era bem mais simples. Hoje, há burocracia para todos os lados que se olhe. Há algumas décadas, chovia sem qualquer pretexto. Rezava a lenda que bastava São Pedro querer para a água cair do céu. Agora, tem uma história de frente fria, de massa de ar quente, de vento inter-tropical que sopra do continente para o mar. Enfim, burocratizaram a chuva. Outrora, vestia-se de acordo com o espelho e pronto. Hoje é preciso seguir a moda, a tendência, o contemporâneo.

Antigamente, um único médico dava jeito em tudo quanto era doença. Hoje, é preciso ir ao especialista do especialista do especialista. O paciente, tal e qual uma peteca, é jogado para lá, para cá, para acolá sem conseguir resolver o seu problema. O olhar clínico foi substituído por exame disso e daquilo. Em outros tempos, uma palavra ou um aperto de mão selava um acordo ou um contrato. Agora, faz-se necessário vários fiadores, testemunhas, consultas de crédito, antecedentes criminais, comprovações de salário, reconhecimentos em cartório... ...
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