Daniel Campos
Inicio - Serviços - Contato

Linhas

Ou exibir apenas títulos iniciados por:

A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todos

Ordernar por: mais novos   título

Encontrados 21 textos. Exibindo página 1 de 3.

Da porteira

Debruçar sobre uma porteira fechada é perder os olhos lá onde o céu se deita na terra. Lá onde o horizonte não tem uma linha definida. Lá onde tudo se encontra, se mistura, se faz impossível. A porteira fechada parece trancar histórias, lembranças, um ontem que sente saudade de si próprio. A sensação de admirar a paisagem vista da porteira é a de estar diante de um porta-retrato sem molduras.

As mangueiras com as promessas de suas mangas vermelhas; o verde que se espalha em manchas de abacate; a ameixeira que espera suas flores se tornarem veludos amarelos; o chuchu parece suspenso no ar por uma linha imaginária; as flores de São João vestem o arame farpado derramando-se sobre os mourões... ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Dama de azul

E do teatro vazio nasce uma dama de azul. Do silêncio da espera, faz-se o desespero. Da claridade em breu, surge o azul. Um spot de luz, feito um assassino, segue aquele corpo como se seguisse sua próxima vítima. Um corpo envolvido de azul. Uma blusa azul deixava os braços expostos, insinuava a leveza do colo e até desvendava um pouco das costas daquela criatura sem nome. Os mistérios e as memórias presentes à flor da pele fresca.

Do nervosismo, encena-se o drama. Das mãos aflitas, dá-se o consolo inesperado. Uma saia azul desnuda com extrema sutileza as pernas nunca dantes vistas de tal maneira. As sombras, os traços, a geometria inspiram olhares. Da face umedecida pelo suor frio do medo, unge-se a compreensão (não que ainda não a compreendesse, mas agora ela está com os sentimentos em carne viva; sentimentos que afloram como criaturas nuas em alma frente a minha palidez de palavras). ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Dama dos mortos

Entre túmulos e cruzes, ela caminha. Não é velório, enterro ou aniversário de óbito de algum parente, amigo, namorado. Como ontem, anteontem e trasanteontem também não o foi. Não é gótica. Não se veste de negro, mas gosta de ficar por ali, lendo a poesia fúnebre das lápides frias. Gosta de ficar perambulando e cheirando o perfume fúnebre das flores fúnebres. Em sua maioria, crisântemos brancos, roxos, amarelos. No seu suor, o cheiro de cravo de defunto escorria pelo seu corpo não menos gélido.
...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

18/03/2008 - Dar o peixe ou ensinar a pescar?

Devemos dar o peixe ou ensinar a pescar? Sempre defendi que o Brasil não precisa de política de caridade ou de qualquer outra forma de assistencialismo barato. Mas de um projeto consciente e maior, que passe pela educação e pela garantia dos direitos de cada um. Abomino essa politicagem feita nas costas dos que tem fome, frio e outras necessidades elementares. Não carecemos desse marketing pessoal usado por muitas pessoas públicas, mas de uma ação de solidariedade. Solidariedade? O que é isso? É de comer ou de vestir? Aonde a gente compra isso? Se isso ai estiver na moda eu também quero... Aliás, quero logo duas unidades, uma de cada cor. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

17/07/2008 - De Drummond a Guimarães

Molha os teus lábios nos meus e deixa-me beber da tua poesia que vai da estação de Drummond a Guimarães num beijo de língua. Leva meu corpo nesse trenzinho mineiro que vai subindo montes e montanhas de teu corpo rumo ao céu alaranjado dos teus olhos morenos. Deixa-me escrever enquanto lhe respiro e lhe admiro e miro a felicidade sobre-humana que nos espera. Um poema, um conto, uma crônica não são suficientes para compor as vidas desta mulher. São necessários livros e mais livros para eu colocar no papel a tua carne e o teu espírito. Por isso escrevo e escrevo-te demais. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

01/05/2008 - De luto

Amanheço de luto. Amanheço em busca de uma manhã de domingo. Amanheço com um gosto de champanhe na boca. Amanheço nas retas sem fim de um pesadelo. Amanheço sem vontade de levantar. Amanheço e enxergo um rosto de olhar longínquo e boné azul como que querendo me dizer alguma coisa. Amanheço ao som de motores de doze, dez cilindros roncando alto. Amanheço rezando por chuva e pelo rei da chuva. Amanheço ao cheiro de pneu queimado. Amanheço buscando o amarelo riscado de verde e azul de um capacete. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

11/02/2008 - De novo!

Sem fogos, sem champanhes, sem pular sete ondas, 2008, finalmente, começou. Depois das férias, dos recessos, do oba-oba, vivemos o início, na prática, de mais um ano. O país de uma gente que não desiste nunca, depois de confetes e serpentinas, começa a funcionar. 11 de fevereiro! O Brasil engatinha para entrar no ritmo de um ano que pede muita cautela por parte do horóscopo chinês e dos analistas norte-americanos.

O ano ainda espreguiça e já estourou um novo escândalo no governo Lula; caminha pelos tapetes verdes e azuis do Congresso uma nova CPI para apurar o uso indevido do dinheiro público; o mosquito da dengue está à solta; já há um grande número de vítimas das chuvas torrenciais e das estradas brasileiras; a Beija-Flor de Nilópolis (acusada de compra de votos em 2007) sagrou-se bicampeã da Sapucaí....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

02/06/2008 - Decepção marciana

Depois de mais de trinta anos de tentativas, finalmente conseguiram pousar no solo do planeta Marte. Calma! Ainda não foi nenhum ser humano, apenas uma sonda robótica. O nome dela? Phoenix. Depois de nove meses no espaço, essa engrenagem com nome mitológico pousou nas regiões polares e secretas de um planeta que mexe com a imaginação de muita gente. Basta ver o histórico de filmes que falam sobre o planeta vermelho para observar o teor do imaginário que trato aqui.

O projeto é da norte-americana Nasa, mas o comandante desta viagem nasceu no Brasil: o engenheiro Ramon de Paula. Um projeto e uma decepção histórica nas mãos de um brasileiro. É inquestionável o valor desta conquista. Mas também não deixa de ser tamanha a dimensão dos que se decepcionaram. Pudera, até agora nenhum sinal de extraterrestre. Só tempestades de areia e um frio de 140 graus negativos. Isto é, além de uma foto com um solo avermelhado desértico coberto por pedras....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

30/04/2008 - Declaração de imposto de renda

Declaro o meu descontentamento em morar no país com a carga tributária mais alta do mundo. Declaro o meu arrependimento em ter acreditado em um governo que seria para todos. Declaro a minha desesperança com um futuro próximo e mais que próximo. Declaro o consumo de doses desenfreadas de amargor com a realidade. Declaro a minha angústia, o meu estresse, a minha falta de paciência.

Declaro o meu desgosto, cada vez mais gritante, diante da burrice humana. Declaro a aquisição de armaduras para me defender dos ataques do falso destino. Declaro rios de suor derramado de muito trabalho para tentar sobreviver diante dessa carestia toda. Declaro a minha vontade de ir para Maracangalha. Declaro a compra de toneladas de inseticidas para combater ratos, baratas e demais vermes que andam soltos por ai....
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

Deita

Deita. Deita de bruços, com as pernas cruzadas, e com um livro nas mãos, como uma adolescente que sonha com príncipes vindos em cavalos brancos. Deita e tem em seu corpo sete cores deitadas. Deita e transatlânticos jogam suas ancoras naquele mar de pele. Deita e os desejos dos sonhadores mergulham a sete palmos. Deita e parece ser imbatível. Deita e ganha elasticidade. Deita e se distende. Deita e se contorce. Deita e nos entorta. Deita e um atirador lança facas em torno de seu corpo. Deita e muda o trajeto das estrelas cadentes. Deita e os sonhos se levantam e caminham pela casa como sonâmbulos. Deita e o longe se amansa. Deita e os desejos submergem em seu corpo como areia movediça. Deita e os olhos se fecham em copas. Deita e os anjos caem. Deita e o corpo lateja. Deita e a boca e abre como uma flor carnívora. Deita e há quem diga que morreu e há quem diga que acabar de nascer. Deita e as nuvens se agitam para uma chuva de algodão doce. Deita e os trens descarrilam. Deitam e as rodas gigantes saem rodando pelas ruas da cidade baixa. Deita e o lençol muda de cor, de textura, de temperatura. ...
continuar a ler


Comentar Seja o primeiro a comentar

      1  2  3   Seguinte   Ultima