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Encontrados 51 textos. Exibindo página 1 de 6.
16/02/2008 -
Caçador de estrelas
Era certo. Lá pelas sete e meia da noite, depois de jantar no rabo do fogão a lenha, ele corria para o terreiro. Seus pais, já acostumados, não falavam nada. Afinal, àquela hora as lidas da roça já estavam feitas. As viagens daquele menino de onze anos tinham pouso certo. Perto da cerca do curral, do pé de araçá, do arado velho.
Toda noite, sentava-se ali, na espinhela do arado, para vigiar o céu de estrelas. Dizia que elas se movimentavam e até cantavam baixinho. Sem saber as figuras zodiacais, enxergava vacas, bodes, anjos, galinhas e peixes naquele céu negro. Ficava mudo e estático para não assustar suas estrelas. Apenas as espreitava. De repente, partia em carreiro em busca de uma luz cadente. ...
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03/08/2008 -
Cada dia nasce de um novo amanhecer
Em pleno inverno, a lua parece arder em febre. Com certeza deve ser efeito de sua paixão impossível pelo sol. E esse clima só faz sufocar o menino que passa cabisbaixo pelas ruas. Caminha sem direção, sem rumo, sem destino. Até mesmo o vento que deveria ser fresco sopra um bafo quente, deixando em brasas a angústia daquele jovem que desconta sua raiva chutando as pedras que encontra pelo caminho. De repente, avista um banco daqueles de cimento que dividem espaço com a grama, já castigada pela seca. ...
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Caetaneando mais uma vez
Café com Cony
Desde muito cedo adquiri o hábito saudável de tomar café da manhã com Carlos Heitor Cony. O jornaleiro, antes mesmo de o galo gargarejar com as primeiras gotas de sol, atirava aquele amontoado de notícias contra a minha janela. Não sei como, mas ele tinha pré-disposição em me acordar. Acredito que ele, o jornaleiro, só tinha ânimo para sair de casa, lá pelas três horas da madrugada, e pedalar a bicicleta, que o deixava com as pernas suspensas, só pelo íntimo prazer de me acordar.
Podia estar sonhando no mais perfeito paraíso, mas o menino travesso insistia em me trazer para a realidade. Tinha medo de que minha alma, que ficava vagando de mundo em mundo, se assustasse com o barulho, nada sinfônico, produzido pelo beijo forçado entre manchetes do dia com as frestas da minha veneziana, e não mais encontrasse o caminho para voltar ao meu corpo. Cheguei a espiar o menino pelo portão, acordando mais cedo que ele, e pude notar o sorriso em seu rosto ao arremessar o jornal contra o meu sono. ...
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14/05/2008 -
Caiu uma floresta inteira
Caiu a última pedra que incomodava no sapato dos desmatadores. Marina Silva pediu demissão. Segundo os ambientalistas que atuam nessa área, o pedido de demissão da ministra do Meio Ambiente é a declaração da abertura da temporada de derrubada oficial da Amazônia. Além disso, a saída da ministra é vista como sinal claro do fracasso da política ambiental de Lula.
Marina tentou mostrar durante seis anos que, para o Brasil ser moderno, ele precisava integrar a dimensão ambiental ao seu desenvolvimento. Infelizmente a dimensão econômica falou mais alto. A Amazônia perdeu, o meio-ambiente perdeu, os ambientalistas perderam, a sociedade perdeu e os donos do capital ganharam mais uma batalha....
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12/08/2008 -
Cajus e esparadrapos
Cheiro de esparadrapo, de remédio, de enxofre, de sangue, de dor. Convenhamos, hospital tem um cheiro nada agradável. O aroma, que chega a causar arrepios ao despertar lembranças dolorosas em nossa memória, perfuma toda a redondeza dessas casas medicinais. Digo tudo isso, mas só entro em hospital em último caso. Contudo, costumava passar frequentemente em frente a um dos maiores deles aqui em Brasília. Afinal, era caminho para se chegar ao Santuário Dom Bosco, que guarda a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Mas em razão do cheiro de remédio e dor beirar o insuportável, fui obrigado a mudar de rota. ...
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03/10/2008 -
Caminhadura
Eu caminho contra o sol, seja a pé ou na boleia de um caminhão. Eu caminho no marca-passo coração, seja em pontes de safena ou injeções de adrenalina. Eu caminho no mar-alto da paixão, seja a bordo da arca de Noé ou dividindo as águas de Moisés. Eu caminho pelos tabuleiros, seja entre estradas de rainha ou espadas de rinhas. Eu caminho pelos romances, seja nas linhas dos livros da estante ou na canção que caminha solta pelo ar.
Eu caminho de sentença em sentença, seja na prisão de um tempo ou no cárcere da paixão. Eu caminho por entre uma declaração de amor, seja amor amado ou mais amado para valer. Eu caminho sem dó nem piedade, seja pela cidade ou pelo azulão do céu. Eu caminho poeticamente, seja de letra em pausa ou de rima em refrão. Eu caminho na corda bamba da esperança, seja equilibrando uma sombrinha ou um leão. ...
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Caminho de dentro
Dentre tantos caminhos, nasci. E ao contrário de Drummond, não me lembro de nenhum anjo torto, daqueles que vivem nas sombras, vir me dizer alguma coisa. Nasci. Alguns anos de namoro na década de setenta. O casamento e mais algum namoro. Nasci. E era dia dez, como tantos outros dias dez. E era junho como tantos outros junhos. E não era feriado, não era dia santo, sequer era domingo.
Um dia normal, se é que os dias são normais. Ou melhor, era uma tarde normal, como tantas outras do século XX. O sol começava a procurar um esconderijo para que, quente de amor distante, pudesse admirar os fetiches da lua. Perto das cinco da tarde. Nem tão tarde para um desejo de boa-noite nem tão cedo para um desejo de bom-dia. Mas o momento exato para tantos outros desejos. Uma hora estranha com crise de identidade diante do tempo dos relógios....
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Caminhos
Eu caminho, tu caminhas, nós... A vida é feita de caminhos, caminhadas, caminhantes. Caminhos feitos de terra, de pedra, de mar, de céu, de mato, de fogo. Caminhadas feitas de procuras, esperas, encontros. Caminhantes feitos de sonhos e lembranças.
Nessa caminhada, independente dos acontecimentos, segue-se em frente. Nesse caminho não se vê muito adiante, uma espécie de cerração toma nossos olhos, portanto, sonhar é uma questão de sobrevivência. Os passos podem ser lentos ou apressados, estreitos ou largos, firmes ou fracos, mas são para frente....
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01/04/2008 -
Cantar é o remédio do século
"Figaro... Figaro... Figaro... Figaro... Figaro...Figaro!!! Figaro qua, Figaro la, Figaro qua, Figaro la, Figaro su, Figaro giu, Figaro su, Figaro giu.
Ah, bravo Figaro! Bravo, bravíssimo!"
O velho ditado "quem canta seus males espanta", voltou à tona com força total. A ciência acaba de comprovar que o ato de cantar cura os mais diversos males do corpo e da alma. O canto acaba de entrar para o receituário dos médicos alternativos, afinal, ele massageia o intestino, alivia o coração, fornece ar extra aos alvéolos pulmonares, impulsiona a circulação sanguínea e melhora a concentração e a memória, equilibra o sistema nervoso, relaxa o corpo, promove a harmonia psíquica, reforça o sistema imunológico, espanta a insônia e combate a síndrome de burnout - a exaustão emocional. ...
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