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Encontrados 14 textos. Exibindo página 2 de 2.
24/10/2008 -
Queritude
Quero andar ao seu lado. Quero andar abraçado. Quero colocar a minha mão em seus ombros, em suas costas, em sua cintura. Quero saber da conversa das vértebras da sua coluna. Quero brincar em suas costelas. Quero sentir sua pele correndo feito rio. Quero lhe levar como em contradança. E quero que esta dança seja tango, valsa, bolero. Quero fazer de seu corpo o norte de minha bússola. E eu quero andar pelo seu norte, seja qual for o caminho. Quero me surpreender com seus arrepios. Quero sentir sua respiração em minha respiração. Quero ser siamês, de carne e alma. ...
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03/05/2008 -
Quero uma cama no meio do nada
Quero uma cama no meio do nada. E que esse nada tenha, ao menos, algumas palmeiras para ofuscar o sol. Que o silêncio deste nada cante o som de um riacho correndo ao fundo e, vez ou outra, de alguns grilos por ente a terra molhada. Ah! É essencial que a terra esteja recém-umedecida por uma chuva lenta. E que haja um pouco de mato florido para perfumar isso tudo. E se não for pedir demais, quero um canário e um cavalo. Esses serão meus únicos dois luxos. Enquanto o canário estrala forte, o cavalo galopa manso na imensidão. ...
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21/06/2008 -
Quero uma cela
Falta o quê? Eis o espanto quando passo os olhos pelo noticiário e vejo que as autoridades da CPI do Sistema Carcerário estão indignadas porque faltam 180 mil vagas em presídios brasileiros. Pobres coitados presos. Seria necessária essa enxurrada de vagas para que eles não fiquem tão apertados. Enquanto o Congresso Nacional se preocupa em dar mais conforto aos presos, outros milhares de brasileiros inocentes não têm onde morar. Por mais absurdo que pareça, a lógica por aqui parece ser a de beneficiar os ladrões, os seqüestradores, os assassinos, os corruptos. O problema não é a lotação do sistema carcerário, mas o que o leva a estar nessas condições, ou seja, a cultura do beneficiamento de quem anda fora da lei. ...
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Quinta-feira
No calendário oficial, uma data qualquer. No calendário extra-oficial, também nada de relevante. Apenas mais uma quinta-feira a ser preenchida em uma página em branco na agenda. Enquanto azul, a quinta-feira, segue o caminho de tantas outras. Um azul comum, de um céu comum, com deuses comuns. Nada de nuvens, de fuligens, de cometas, de naves espaciais e de balões grenás.
De repente, ela surge avassaladora como a rainha da Mesopotâmia. Ela surge e a quinta-feira ganha seu nome e o azul escorre pelas frestas da mesmice. E do azul, faz-se à noite num escuro cintilante. Rapidamente, são chamadas as estrelas ainda dormentes. E a taça onde o sol reinava absoluto como uma rodela de laranja se enche de noite. Todos os encantos, lendas e suspenses são postos e depostos naquela taça. E ela se transforma em líquido. Um líquido que escancara e amortece e encara e aquece os lábios. Nos lábios, o cheiro da noite. Cheiro de brisa, de orvalho, de infinidade....
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