Daniel Campos

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Encontrados 97 textos. Exibindo página 4 de 10.

22/11/2010 - Quantitativo

Quantos assovios o vento traz em seus cabelos. Quantos desvarios velam pelos rios campelos. Quantos olhos cabem nos olhos da coruja. Quantos vermelhos colorem uma boca rubra. Quantas histórias habitam nas línguas dos apaixonados. Quantas lendas são oferecidas como oferendas aos deuses dos condenados. Quantos pontos e vírgulas ditam um romance. Quantos milagres estão ao nosso alcance.

Quantas sombras assombram a escuridão. Quantas flechas de cupido são necessárias para explodir uma paixão. Quanto algodão doce flutua no céu. Quantas mulheres se escondem atrás de uma mulher de véu. Quantas rodas estão sobrepostas em uma roda gigante. Quantos grilos precisam nascer até que se nasça um grito falante. Quanto de olhar há em um adeus. Quanto de pecado existe em Deus.


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28/10/2011 - Quantitudes

Quantos sonhos você jogou fora? Quantos caminhos você abandonou? Quantas oportunidades você mandou embora? Quantos desejos você adiou? Quantas saudades você ignora? Quantas cidades você já deixou? Quanto você ainda implora? Quantas ilusões você profetizou? Quanto de você existe agora? Quantos segredos você confessou? Quantos destinos você chora? Quantas esperanças você guardou? Quantas possibilidades você namora? Quantas apostas consigo mesmo você não ganhou? Quanto do seu coração já está pra fora? Quantas das suas canções preferidas você nunca cantou? Quanto de Deus você ainda adora? Quantos pecados você já pecou? ...
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12/12/2011 - Quanto tempo antes?

Quanto tempo antes dos créditos subirem encerrando mais um romance de cinema? Quanto tempo antes de a chuva desmanchar o penteado da madame? Quanto tempo antes das promessas do promesseiro serem para sempre promessas? Quanto tempo antes das sapatilhas das bailarinas rasgarem? Quanto tempo antes de o fruto amadurecer? Quanto tempo antes de o inverno chegar? Quanto tempo antes de o cachorro comer o gato, de o gato comer o rato, do rato comer o queijo, de o queijo comer a fome de alguém sem nome.
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17/05/2014 - Quanto, quanto, quanto...

Quanto você ainda quer de mim? Quanto você ainda acha que posso lhe dar? Quanto de nós você acredita ainda existir? Quanto de amor você ainda se nega a dar? Quanto você anda se esconde? Quanto medo ainda habita em você? Quanto de desculpa você ainda inventa? Quanto você ainda quer se enganar? Quanto de tudo você ainda trata como nada? Quanta importância você ainda não dá ao que, de fato, importante? Quanto você ainda se deixa dominar pelo que não vale à pena? Quanto você ainda deseja disso? Quanto você ainda quer adiar o que não pode mais ser adiado? Quanto de felicidade você ainda joga fora? Quanto você ainda se sufoca? Quanto de você ainda não se assume? Quanto do que falou ainda tem validade? Quanto de tudo o que eu falei ainda lhe faz sentir saudade?


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31/07/2015 - Quarando o coração

De quando em quando é necessário colocar o coração para quarar, limpando-o do mundo que a todo instante está a nos contaminar com suas mundices. Não é maluquice estender o coração no chão nosso de cada dia sob um sol de ferver sabão. Só tome cuidado, fique atento, pois enquanto o coração está quarando ao vento alguém pode passar e roubar o seu torrão de sentimento. E também não vá se esquecer de deixar seu coração ao relento a sofrer de solidão que o dista das estrelas.


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03/01/2014 - Quarta de terra

Queria uma quarta de terra para lavorar as plantas do mato. Queria uma quarta de terra para morar numa casinha pequenina. Queria uma quarta de terra para criar ovelhas. Queria uma quarta de terra para capinar o que não é para estar ali. Queria uma quarta de terra para sentir o cheiro de chuva em todos os cantos. Queria uma quarta de terra onde a passarada não se fizesse de rogada. Queria uma quarta de terra com alguns pés de fruta. Queria uma quarta de terra para ter um pedaço do mundo pra mim. Queria ter uma quarta de terra para ter o mínimo de sossego. Queria ter uma quarta de terra para amarrar cachorro com linguiça. Queria uma quarta de terra para colher sereno. Queria uma quarta de terra para tomar de conta da ventania. Queria uma quarta de terra para assoviar pro nada. Queria uma quarta de terra para plantar estrelas. Queria uma quarta de terra para replantar meu eu.


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18/11/2014 - Quase todos

Quase todos os caminhos são tortos. Quase todos os sonhos não se realizaram. Quase todos os heróis estão mortos. Quase todos os tempos estão no passado remoto ou no futuro distante. Quase todas as paixões estão prometidas ou comprometidas. Quase todos os fins saíram diferente do que se pensou. Quase todos os pecados foram perdoados. Quase todos os deuses caíram no esquecimento. Quase todos os planos deram n’água. Quase todos os mundos perderam seus fundos. Quase todos os poetas se perderam. Quase todos os papeis estão ao vento. Quase todos os sóis se apagaram. Quase todos os rios secaram. Quase todas as cores desbotaram. Quase todos os povos se esqueceram. Quase todas as estrelas se apagaram. Quase todas as frases foram quebradas. Quase todos os começos foram recomeçados. ...
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Quatro paredes

Os batimentos cardíacos parecem mais nítidos. O silêncio, definitivamente, está encarcerado. O espaço é pequeno. As pernas, por mais que queriam, não conseguem ir além de três passos. E os passos andam e andam, em círculos, e estão sempre no mesmo lugar. Depois de gastar os pés no concreto áspero e mal acabado do chão, o corpo decide sentar-se. O cansaço é de angústia. Não há mais sapatos embebidos de cera, calças finas, camisas de mangas cumpridas... O que existe são trapos e um corpo exposto. As lembranças surgem ao meio das baratas que ficam paradas nos dos cantos que me cercam. A barata me olha com olhos de sabe-se lá o quê. Não sei se elas sentem alguma coisa ou se elas só desejam um farelo do pão que quebra no canto da boca. Queria ouvir alguma música, mas meus discos estão mudos. As palavras estão caladas. Daqui não vejo a lua em nenhuma de suas fases, apenas um tucho negro invade o ambiente. O cheiro de mofo aumenta a cada aparição dessas sombras. Nas encostas já há alguns musgos que crescem viçosos. Do meu lado, amarrado por correntes, os ossos de um romântico que dizem ter morrido de amor. Amou quem não podia. Amou como não podia. Amou quando não podia. Dentre tanta miséria, um copo de cristal ainda resta em minhas mãos. O cristal fino e frágil. O copo, que não sei se vazio ou cheio de sangue, continua debruçado sobre a poeira. Chega! Não irei mais inventar histórias para traduzir a solidão de quatro paredes a qual eu me condeno... O meu sul é uma parede de pedra. O meu norte tem tijolos. O meu leste tem rachaduras. O meu oeste tem teias de aranha. Quatro paredes de um mundo que por mais que eu tente escapar, romper, pular, derrubar... Prendem-me à ilusão da mulher amada. ...
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04/08/2012 - Que a flecha de Oxóssi

Oke Aro, oke aro. Que a flecha de Oxóssi aponte para onde eu devo seguir. Que a flecha de Oxóssi seja a minha estrela-guia. Que a flecha de Oxóssi vá rompendo minha estrada. Que a flecha de Oxóssi leve-me até minha morada. Que a flecha de Oxóssi me leve por caminhos de fantasia, de riqueza e de pura poesia. Que a flecha de Oxóssi não me deixe esquecer o guerreiro que olha por mim. Que a festa de Oxóssi semeie uma floresta em mim.

Oke Aro, oke aro. Que a flecha de Oxóssi derrube todos os meus inimigos. Que a flecha de Oxóssi me salve dos perigos. Que a flecha de Oxóssi seja meu ataque e meu escudo. Que a flecha de Oxóssi proteja o meu mundo. Que a flecha de Oxóssi fira a solidão e sangre amor. Que a flecha de Oxóssi paire no ar como um beija-flor. Que a flecha de Oxóssi voe paralela aos meus pleitos. Que a flecha de Oxóssi, se preciso for, seja cravada no peito.


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01/01/2013 - Que aconteça o novo

Que as histórias tomem um rumo novo. Que o amor e os amores tenham fôlego novo. Que os sabores, mesmo cotidianos, sejam novos. Que as mudanças venham para o novo. Que os piratas naveguem em busca de um tesouro chamado novo. Que os gatos e as gatas cruzem seus caminhos de um jeito novo. Que as promessas ganhem um tom de realidade novo. Que as férias rendam um ânimo novo.

Que a menina no menino ganhe um sorriso novo. Que os fins tenham um final novo. Que as viagens tragam um ponto de vista novo. Que o coração tenha um suspiro novo. Que as canções que você já canta tenham um quê de novo. Que os ventos que lhe empurram tenham um ritmo novo. Que as palavras tenham um sotaque novo. Que os retratos tenham um ângulo novo. ...
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