Daniel Campos
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Encontrados 46 textos. Exibindo página 5 de 5.

06/06/2008 - Sonhos adormecidos

A caminho do trabalho, uma vontade incontrolável de soltar pipa. Estava no meio de uma cidade grande, de terno e gravata, com pasta na mão, a poucos minutos de uma reunião com investidores chineses. Do seu lado direito, com uma lata de alumínio na mão, daquelas de leite ninho, um menino de rua empinava pipa, papagaio, maranhão por entre os fios dos postes e as copas das árvores. Mais do que nunca, ele se sentia tentado. Não sabe de onde veio a inspiração, mas era algo forte e urgente. O desejo era intenso a ponto de desconcertá-lo. E olha que eram poucas as coisas que o tiravam do sério....
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Sonhos bandidos

Um céu azul, quase sem nuvens, azul de todo azul, e um sol que brilha nas piscinas. Árvores rechonchudas, flores nos jardins, cadeiras nas calçadas. Vestidos, paletós, lenços. Cabelos soltos no ar. Pássaros cantando nas janelas. Palácios. Crianças brincando nas praças. Sorrisos, muitos sorrisos. O mundo a passar com suas cantorias, zonzo de felicidade.

Vamos leitor, acorde!!! Não se deixe hipnotizar. É assim que querem que vejamos o mundo. Um filme "água com açúcar". Ops! Não se esqueça que a produção "A Vida é Bela" desbancou "Central do Brasil". Os olhos em carne viva de Fernanda Montenegro... e preferiram o sorriso palhaço. Acorde! Vamos ver por detrás das cortinas dessa vida que nos querem dar. ...
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Sonhos de padaria

Ela sumia durante a noite. Ninguém a encontrava. Nem na casa de fundo onde morava, nem nos dois celulares que levava consigo, nem na padaria onde sempre passava e tomava um café e comia um sonho, como se essa fosse a sua maior travessura. Não era de aprontar, tampouco de quebrar sua rotina. Nunca roubou, nunca mentiu, nunca blasfemou, nunca matou, nunca desonrou,..., nunca quebrou os dez mandamentos. E também não se dava ao desfrute quando se tratava de pecados capitais. Ira, inveja, luxúria ficavam fora de seu cotidiano. E aquele café com sonho na padaria não poderia ser considerado desejo, tampouco gula. Era apenas cotidiano....
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31/08/2008 - Sorrio

No silêncio dos homens, no ventre da mata fechada, no brotar de um destino, sou nascente, sou rio. E querendo descobrir novos mundos, novos caminhos, novos povos, escorro corrente nas águas da minha cabeceira. Não podendo ficar parado, corro por entre montanhas, colinas, chapadas, florestas... Sou tocado pelas folhas das árvores que caem sobre minhas costas, pela língua dos animais que me tomam para si e pelas mãos humanas que me levam para longe, para longe de mim.

Do casamento do leito com a minha vazão, vão nascendo peixes, plantas, algas... Eu que era transparente quando nasci, vou correndo azulado, esverdeado, enlameado por uma estrada sinuosa. O meu correr guarda os mistérios do boto, o canto da iara e a vitória mais régia que já existiu. As crianças vêm brincar em mim, com suas bolas e bóias coloridas. Enquanto os homens me bebem vou apreendendo os costumes de cada povoado por onde passo. Sei falar muitas línguas, sei de muitas histórias, sei de muitos amores....
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14/12/2008 - Sou dia, sou noite, sou tempo não compreendido

Olá, tem alguém aí do outro lado de mim? Quem é você, como se veste, como se deita, como me olha? Eu aqui tão exposto, tão nu... Sou sentimento ao vento. Acenda as velas, flerte o vento a estibordo, caminhe sobre a prancha... Mas antes de partir, me conta de você. Como está, como se vê no espelho neste dia, nesta noite, neste tempo ainda não compreendido? Você é homem, mulher, criador, criatura ou alguma espécie de anjo? Eu acredito em anjos, arcanjos, querubins e outras ordens celestiais. Principalmente, em cupidos. Olha por entre as letras e veja meu peito ferido. A flecha ainda sangra esse amor desmedido. ...
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Suplicyniando

Os passos longos percorrem corredores e salões vazios. Não se sabe se noite ou se dia. A luz ali dentro daquele castelo sem rei é sempre a mesma. Os passos passam à procura de alguém. Os passos passam à procura de tantos. Os passos passam trazendo outros passos imaginários na solidão daquele chão azul. Como se o mundo rodopiasse e ficasse de ponta-cabeça, ali, o céu era de concreto e o chão era de um azul quase mar. E entre ondas e oceanos de gente, de promessas e de sonhos... Os passos passam por tapetes azuis....
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