Daniel Campos
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Encontrados 28 textos. Exibindo página 1 de 3.

22/11/2008 - Um portal aos seus pés

Muitos se perguntam sobre um portal mágico, cujo destino é uma outra dimensão, uma espécie de paraíso perdido, uma manjedoura de sonhos. Todos perseguem, mas ninguém dá notícia deste lugar. E todos nós temos acesso a ele e nem percebemos. Afinal, você já parou para pensar o ralo do banheiro? Esse inofensivo mecanismo instalado sob seus pés tem a missão de levar suas expectativas, suas lágrimas, seus suores, as marcas de seu corpo, seus medos, as conversas que não se calaram, o dia que passou e o que ainda não chegou para um outro mundo....
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01/10/2008 - Um atentado lingüístico

Agora é lei: o presidente bateu o martelo em relação as novas regras na língua portuguesa. Vamos ter que desaprender a escrever. Afinal, quem escreve errado saiu ganhando. Já imaginou escrever idéia sem acento? E abolir o trema dos textos? Mais do que uma questão fonética, o trema confere uma outra beleza ao texto. Uma beleza que, graças ao Lula, está praticamente extinta. É claro que restarão os românticos do trema, mas a tendência é eles desaparecerem um a um.

Há tanta coisa para ser feita e a maior autoridade do país resolve acabar com um inofensivo trema. Se ao contrário daqueles dois pontinhos horizontais fosse um colarinho branco, garanto que o Lula não teria mexido com ele. Pois é, o trema caiu. E com ele, alguns acentos agudos e circunflexos, os populares risquinhos e chapeuzinhos. Agora, o que vale é enjoo, abençoo, deem, leem. Há ou não a sensação de que as palavras estão peladas?...
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30/09/2008 - Uma outra cidade

Eu não entendo a língua dos brancos. Eu não vivo nos brancos da página. É melhor viver no negro, no azul, no vermelho das palavras que tingem a brancura desta cidade de papel. Mas essa cidade é secreta, feito uma terra que já virou lenda. Ao menos, para os olhos dos brancos. E é assim que passo os meus dias, moendo o açúcar das palavras em busca dessa cachaça poética, que pinga dos tonéis e é levada por meus pensamentos no gemer dos carros de boi. Passo os dias dançando em busca da chuva das palavras, invocando o Tupã das palavras, caçando e colhendo a alma das palavras. ...
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29/09/2008 - Uma floresta no meu quintal

No meu quintal tem sibipuruna, tem, tem árvore da fortuna, tem, tem buriti, tem, tem pequi, tem, tem palmeira e figueira, tem. Tem, tem, tem uma floresta no meu quintal. Tem unha-de-vaca, alfavaca, imbê e guaimbê e até um abacaxizal no fundo do meu quintal. Tem tucum e urucum. Tem ipê-do-morro e carrapicho de cachorro. Tem mamona e azeitona. Tem hibisco e tem chuvisco. Tem flamboyant e hortelã. Tem boldo e pau de dar em doido, tem manacá-da-serra, tem ingá, tem cajá, tem jatobá, tem araçá e muita fartura na pintura do meu quintal a la Lasar Segall. ...
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21/09/2008 - Uma senhora de coração azul

Lá vem pela estrada uma senhora de sombrinha aberta ao sol trazendo, por entre a penumbra, um semblante sério que logo se desmancha numa afabilidade de açúcar. A senhorinha tem passos pequenos e caminha numa leveza que, há primeira vista, parece volitar. Traz consigo aquela velha Minas dos contos de Guimarães Rosa que já não contam mais. Uma Minas que pulsa em seus gestos, em seu falar, em seu uai mais bem afinado, sô. Vem de sandália baixa, numa simplicidade tão nobre de se ver. E sem perder a postura de professora, vem ensinando o amor para aqueles que cruzam sua estrada. Uma sensação de ternura, de aconchego, de contentamento, de doação caminha ao seu lado e contagia o mundo que, com todo respeito, abre passagem para ela prosseguir tecendo sua estrada, que é de barro, sopro e fé. ...
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24/08/2008 - Um pirata sem mar

O menino entristecera de uma vez. O pai não sabia o que fazer. A mãe chorava pelos cantos todo o pranto que restava em seus olhos, já fundos. Já tinham recorrido ao clínico geral, ao terapeuta, ao psicólogo, ao cientista, ao padre, ao mágico do circo e ao morro em dia de carnaval. Mas o menino não sorria, só tinha os olhos lançados ao céu das cotovias. Não queria saber de estudar, de passear, de jogar, de conversar, de cochilar... Não nem mesmo namorar, embora seu comportamento fosse digno de um apaixonado de sentimento tão convicto quão aflito. E isso levava todos à loucura. Já diziam que ele ia definhar até morrer. ...
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29/07/2008 - Uma fila chamada Brasil

Fila de banco, além de estresse, é uma oportunidade indigesta de aprendizado. É uma vitrine social. Afinal, entra e sai gente de todas as cores, credos, classes sociais, idades, sexos, ideologias. Muito bem. Estou eu em uma longa fila de um banco privado a observar a falta de civilidade de uma pátria que adotou o "jeitinho" como opção de vida. Brasileiro quer se dar bem e isso é fato. Depois a gente não sabe a razão de o país ser miserável e corrupto. Os grandes pilantras nasceram de uma sucessão de pequenos maus-hábitos....
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23/07/2008 - Um funeral a la Dercy

Tão aplaudida quão incompreendida, Dercy Gonçalves foi um caso à parte na história da humanidade. Haveria muito a escrever sobre seus mais de cem anos. No entanto, peço licença para não falar da sua vida. Quero discorrer sobre sua morte. É difícil de acreditar, mas o corpo da atriz foi enterrado em pé em um cemitério no interior do Rio de Janeiro com direito a Hino Nacional, muitos flashs e fãs caracterizados no melhor estilo da comediante. Depois de seresta, missa e procissão, ao som da bateria da escola de samba Viradouro, Dercy foi enterrada na posição vertical, no mausoléu que fez questão de construir, como forma de mostrar que continua viva. ...
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12/07/2008 - Um sopro de luz chamado Halley

Com os olhares lançados ao vento quase agostino, velejo pelos quadriláteros do céu de inverno. Nesta época do ano, o manto negro que cobre a noite é mais espesso. Entre uma estrela tímida ali, uma vaidosa lá e uma outra perdida acolá, traço as linhas de constelações famosas e me pergunto pelo cometa de Halley. Foi esse cometa que trouxe a minha vida a idéia de finitude, de morte, de efêmero. Pudera, ele só passa sob nossos céus a cada 76 anos. Privilegiados os que conseguem vê-lo por duas vezes. ...
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14/06/2008 - Um pouco Indiana

Estréia hoje o Homem-aranha número... Não percam o incrível Hulck... Com vocês, o Homem de Ferro... O Capitão América vem aí... Esses são só alguns dos diversos personagens em quadrinhos que tem povoado a tela do cinema e mexido com o imaginário das pessoas nos últimos tempos. Ao contrário de me imaginar como um desses super-heróis que são capazes de voar e ter força infinita, sempre vibrei muito com as odisséias de Indiana Jones.

Indiana Jones? Um professor de arqueologia e um aventureiro destemido em um mesmo corpo. Um personagem mais próximo do real, mas com toda a magia necessária para ativar o nosso subconsciente, levando-nos assim a mundos desconhecidos. Além disso, sempre gostei dessa coisa de deuses, enigmas e relíquias arqueológicas. A arca perdida, o cálice da última ceia, o templo da perdição são lendas que fazem parte do cotidiano de qualquer sonhador. E eu sonho... Por isso, dia desses fui ao cinema conferir o novo filme de Harrison Ford: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. ...
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