Daniel Campos

Prosas

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Encontrados 3193 textos. Exibindo página 316 de 320.

Solidão a sós

Tem dias em que a solidão amanhece em nossas veias e é levada a todo o nosso corpo. A solidão corre nas pernas. Corre no fundo das vistas. Corre pelas costelas. Infesta um a um dos órgãos. Então, vem uma vontade de correr. Correr para longe de si mesmo. Uma vontade de entrar atrás da geladeira, debaixo da cama, dentro das gavetas. Como se quisesse esconder de si próprio. E ao abrir a janela, o mundo de tão grande parece lhe violentar. Como se a solidão fosse uma espécie de vampiro que, para sobreviver, precisa ficar no escuro. ...
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Sonha

Sonha. Por mais que a vida se mostre impossível, sonha. Sonha com grandes milagres e com pequenos detalhes tão necessários para a felicidade. Sonha com a felicidade. Imagina as pausas do seu rosto, as hipnoses dos seus olhares e, sem cerimônias, dança com ela por um imenso salão que ora é infinito ora já se acabou. Conduza-a e se deixe conduzir por ela, sem maiores orgulhos ou vergonhas. Sonha. Por maior que seja o medo, encare o sonho olhos nos olhos. Sonha com um tempo, imperfeito pelo simples fato de ser amanhã. Sonha e se perca num gosto, num perfume, num gesto. Sonha, a saudade como um sonho que ainda não se foi. Sonha como sonham nos filmes, nos livros, nas histórias que contam e ninguém acredita. Insista e sonha. Sonha como quem voa para um horizonte pela primeira vez. Sonha com o encontro, embora a vida seja feita de esperas. Por mais falso que possa parecer o sonho, sonha. ...
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Sonhos bandidos

Um céu azul, quase sem nuvens, azul de todo azul, e um sol que brilha nas piscinas. Árvores rechonchudas, flores nos jardins, cadeiras nas calçadas. Vestidos, paletós, lenços. Cabelos soltos no ar. Pássaros cantando nas janelas. Palácios. Crianças brincando nas praças. Sorrisos, muitos sorrisos. O mundo a passar com suas cantorias, zonzo de felicidade.

Vamos leitor, acorde!!! Não se deixe hipnotizar. É assim que querem que vejamos o mundo. Um filme "água com açúcar". Ops! Não se esqueça que a produção "A Vida é Bela" desbancou "Central do Brasil". Os olhos em carne viva de Fernanda Montenegro... e preferiram o sorriso palhaço. Acorde! Vamos ver por detrás das cortinas dessa vida que nos querem dar. ...
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Sonhos de padaria

Ela sumia durante a noite. Ninguém a encontrava. Nem na casa de fundo onde morava, nem nos dois celulares que levava consigo, nem na padaria onde sempre passava e tomava um café e comia um sonho, como se essa fosse a sua maior travessura. Não era de aprontar, tampouco de quebrar sua rotina. Nunca roubou, nunca mentiu, nunca blasfemou, nunca matou, nunca desonrou,..., nunca quebrou os dez mandamentos. E também não se dava ao desfrute quando se tratava de pecados capitais. Ira, inveja, luxúria ficavam fora de seu cotidiano. E aquele café com sonho na padaria não poderia ser considerado desejo, tampouco gula. Era apenas cotidiano....
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Suplicyniando

Os passos longos percorrem corredores e salões vazios. Não se sabe se noite ou se dia. A luz ali dentro daquele castelo sem rei é sempre a mesma. Os passos passam à procura de alguém. Os passos passam à procura de tantos. Os passos passam trazendo outros passos imaginários na solidão daquele chão azul. Como se o mundo rodopiasse e ficasse de ponta-cabeça, ali, o céu era de concreto e o chão era de um azul quase mar. E entre ondas e oceanos de gente, de promessas e de sonhos... Os passos passam por tapetes azuis....
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Tango na sapucaí

O calendário mudou, mas como diz a letra de um samba, nada de novo. Bin Laden continua desaparecido; Roseana Sarney continua sem conteúdo; Silvio Santos continua com o sorriso aberto; Índia e Paquistão continuam as ameaças nucleares... Com toda essa "continuação", se não se falasse tanto em carnaval, diria que ainda estamos em 2001.

Isso mesmo! Começaram os preparativos para o carnaval, ou melhor, para aquilo em que se transformou o carnaval (retomarei o tema num artigo futuro). Apesar do grande número de acontecimentos pendentes do ano passado, a mulata globeleza está no ar....
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Tanta espera que se finda

Tantas esperas. Tantas hipóteses. Tantos sonhos. Os últimos meses dedicados a esse momento. Vivi em função desse momento. A cada dia esse momento parecia mais próximo. A cada dia construía novos momentos dentro desse momento que começa a nascer agora. Um parto difícil, porém essencial. O momento precisa ganhar vida, uma vida concreta que vá além das minhas fantasias. Um momento que pode vir a ser tudo, ou nada ou ainda viver em função de alguma esperança. Num primeiro instante, o momento não visa conseqüências, apenas a causa. E embora pensem o contrário, estamos bem preparados para enfrentar esse momento. Não precisamos ter medo, ao contrário, devemos ter alegria em compartilhar esse momento. Momentos com essa proporção não existem a todas as criaturas. Somos privilegiados. Não devemos nos calar diante dele. Devemos deixar tudo de lado e viver esse momento de forma única, não se importando com o que venha a ocorrer depois. Infelizmente, o momento chegou de forma não prevista, mas quem é que prevê esses momentos? Queria fazer de outro jeito, mas agora terá de ser assim. Tudo que ouviu até agora foi dito por outras bocas. Tudo o que ouvi de você foi o silêncio. É mais do que necessário colocarmo-nos olhos nos olhos. Não adianta fugirmos desse momento e nos afogarmos num mundo de suposições. Sei que compreende o valor desse momento. O momento chegou. Sobre o momento, sei o mesmo que você. Momentos assim são espontâneos, não há como os definir com antecedência. Assim, teremos de enfrentá-lo juntos. Não me diga nada agora, o ambiente não é propício para isso. Se puder, o ideal é que esse momento nasça ainda hoje. Para o momento, só resta o parto. Não dá mais para adiar, o momento se faz presente. Acima de tudo, do que pensa sobre mim, do que falam sobre mim, sobre meus atos, saiba que creio em você.


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Tardes que tardam

O sol se põe em solidão. Não sei o que ocorre com as tardes, que são tristes por si só. As manhãs, as noites, as madrugadas... Todas podem ser tristes, mas as tardes não são por razão de escolha, são pela simples razão de ser. Nas tardes é que o corpo parece cansado de tanta vida. Na tarde é que surgem as lembranças. Na tarde surgem todas as dores passadas. Nas tardes é que inventamos de ouvir aquela música, que vamos ler aqueles escritos que ficam guardados esperando não sei o quê.

Tarde. Talvez seja a sensação de que o dia se vai, o tempo passa contra a vontade e que não conseguimos fazer o que queríamos. A sensação de que não somos o que sonhamos ser. Sonho. Na tarde é que nos embriagamos de tantos sonhos e nos decepcionamos, talvez porque acordamos cheios de esperança, uma esperança que cai como grãos de areia numa ampulheta. ...
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Teatro de domingo

Sabe que dia é hoje? Não responda... Talvez a resposta possa ferir sua boca... Como são ácidos os domingos... Parecem dias insossos, bobos, preguiçosos, mas são ácidos... Ah! Domingo... Hoje não foi dos meus melhores dias... Eu sequer me dei ao trabalho de arrumar a cama... Está desarrumada até agora... Quase não a deixei hoje... E como você sabe, eu não durmo durante o sol... E hoje, mais uma vez, cumpri este escrito... Fiquei na cama, mas fiquei acordado... Acordado em sonhos... As únicas vozes que eu escutei foram por meio do telefone (de uma única ligação que fiz) ou dos discos... O telefone tocou algumas vezes, mas eu não o atendi... Para se ter idéia do meu domingo, eu fui para a cozinha e pus a perder todo o almoço... Não deu para aproveitar nada... Consegui a proeza de estragar tudo e isso já era perto do final da tarde... O que eu fiz? Comi a sobremesa e fiz almoço novamente... Quando terminei não estava mais com fome... Resultado... Jantei o que seria o meu almoço... Para se ter mais um pouco da idéia do meu domingo, fiz algo inédito desde que moro aqui... Não abri a porta de casa... Não virei à chave... Não sai nem no corredor do prédio... Fiquei aqui nesses metros quadrados o dia todo... O problema é que meus passos são triangulares e sempre me falta espaço... E, para agravar o grave, não pretendo sair até amanhã de manhã... Fiz disso aqui hoje uma espécie de casulo... Um casulo de poesia... O máximo que eu cheguei perto do mundo lá fora foi quando eu fui à varanda e vi que arrancaram a grama do jardim aqui da frente... A terra nua... Quantas lembranças me trazem a terra nua... E ainda jogaram um adubo esbranquiçado na terra... Parece neve... Parece sal grosso... Parece blush... Aiai... Domingos... Como eles me consomem... Quando é que a mulher amada chegará com a ilusão da cura... Para curar esse meu mal de domingo... Que ela afaste toda a depressão retida num domingo ou até que exorcize os fantasmas que assombram o domingo... Mas ela precisa chegar rápido, afinal, a cada novo domingo há uma perda... Uma perda de sonho, de esperança, de ânimo, de futuro, enfim, de um pedaço de mim... Os domingos, com seus dentes afiados, dilaceram-me mais e mais... Eles me atacam me abocanham me devoram e depois, deixam-me num canto como animal ferido... E não há como lutar ou resistir ou enfrentar... Os domingos me ameaçam como assassinos e me fazem entregar tudo o pouco que tenho... E se não bastasse todo o cinismo, os domingos debocham da minha espera pela mulher amada... Ah! Quando ela vai chegar, que horas vai bater, qual dia vai subir... É preciso chorar, é preciso gritar, é preciso gemer, posto que, hoje é domingo... E ainda faltam algumas horas para ele se ir de uma vez... E voltar daqui a sete dias... Ó minha amada, escrevo-lhe está carta, mas não sei seu nome, não seu endereço, não sei seu rosto... Só sei que existe... E é por essa certeza, que é mais um sentimento do que uma certeza, que ainda me levanto depois dos maremotos e furacões dos domingos... Domingos de seca, domingos de tempestade... Um dia ela, a mulher amada, há de chegar e me livrar dessa maldição chamada domingo... Há de quebrar o feitiço que uma bruxa me jogou... Mas só há um temor... Se ela chegar num dia de domingo... Como poderei confiar que ela é, de fato, a mulher amada... E se for miragem, e se for uma armadilha do domingo, e se for o próprio domingo num corpo de mulher... O domingo embaralha sentimentos como cartas de tarô... O domingo me dopa, me deturpa, me estupra, me vira de ponta cabeça... E se ela for o domingo, ou melhor, e se o domingo for a mulher amada... O que se há de fazer?... Que ela surja na segunda, na quinta, no sábado... Se ela surgir no domingo, corro o risco de não abrir a porta... E se abrir, corro o risco de não encontrá-la... E se encontrá-la, corro o risco de me perder de uma vez por todas... A mulher amada caminha em uma roleta... E entre o azar e a sorte, que essa roleta não pare na casa do domingo... Se a campainha tocar em pleno domingo e detrás da porta estiver a mulher amada... Que venha a morte, num súbito, posto que perdi...


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Tem de ser hoje

Hoje é especial. Hoje é melhor do que ontem e até que não chegue o amanhã o certo é se fartar de hoje. Hoje é especial porque é só hoje. Acorde com um bom-dia na cara. Um bom-dia daqueles declarados e não tenha vergonha do que irão pensar. Hoje é o dia que aquele sonho que você perseguiu a vida toda lhe espera logo ali. Logo ali do lado da felicidade. Hoje é o seu dia de sorte. Os astros dizem isso em algum lugar. Hoje é dia de sair de casa assobiando aquela música. Dia de comer aquela comidinha feita com todo carinho. Hoje é dia de abraços e beijos. Hoje é o dia de se viver tudo o que se tem direito. Dia de pegar o telefone e falar com alguém que você não fala há muito tempo. Hoje é dia de deixar todos os problemas num galho de arruda. Dia de comprar e receber flores. Dia de dizer para si e para todos: Eu amo. Eu amo. Eu amo. E tudo mais é conseqüência.


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