Daniel Campos
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Encontrados 526 textos. Exibindo página 49 de 53.

Um eu que ama

Quem sou eu? Eu? Um eu que ama. Ama o mundo. Ama a conjuntura existente no cruzar de pernas das palavras. De preferência, que as palavras estejam de saia. Um eu que ama a lua que mingua para ser nova. Ama o romance das letras, suas paixões e traições. Sou alguém que nasceu de uma licença poética. Sou quem escreve para o meu próprio alguém, para outro alguém e, outras vezes, pra ninguém.

Contos, crônicas, poemas... O texto me habita e eu habito as gavetas. As gavetas da minha escrivaninha. As gavetas da minha memória. As gavetas das retinas de quem se aventura a entrar em meu mundo. Meu mundo de palavras. Sou quem escreve sobre aquele olhar da menina que parece distante, sobre aquela última decisão política e sobre a guerra de um país que só conheço daquele globo redondo e mágico que ficava sobre a mesa da minha professora de geografia da sétima série. ...
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23/07/2008 - Um funeral a la Dercy

Tão aplaudida quão incompreendida, Dercy Gonçalves foi um caso à parte na história da humanidade. Haveria muito a escrever sobre seus mais de cem anos. No entanto, peço licença para não falar da sua vida. Quero discorrer sobre sua morte. É difícil de acreditar, mas o corpo da atriz foi enterrado em pé em um cemitério no interior do Rio de Janeiro com direito a Hino Nacional, muitos flashs e fãs caracterizados no melhor estilo da comediante. Depois de seresta, missa e procissão, ao som da bateria da escola de samba Viradouro, Dercy foi enterrada na posição vertical, no mausoléu que fez questão de construir, como forma de mostrar que continua viva. ...
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Um homem também chora

"Um homem também chora, menina". O choro, em si, não tem sexo, entretanto as lágrimas de uma mulher são completamente diferentes das lágrimas de um homem. Talvez o choro das mulheres seja mais atraente. Talvez o choro dos homens seja mais bruto. Mas, não vamos aqui, por hora, discutir as anatomias do choro.

Quantas vezes, leitor(a), você já escutou, por aí, que homem não chora? Quantas vezes você, viu um homem chorar? Quantas vezes? E não vale citar como exemplos o choro de um ator de cinema, de um louco preso nas torres de um manicômio, de um bêbado em fim de noite. Também não vale citar aquele choro fingido que surge em nome de algum interesse. Falo do choro, simplesmente, chorado. Então, quantas vezes? ...
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Um mundo febril

Sol. Sun. Soleil. Sole. Sonne. Zon. Seja qual for à língua falada, escrita ou escutada, ele, o sol, brilha soberano. A estação não muda. É verão o tempo todo. Metade da Groenlândia virou mar. Parte da Antártida se perdeu e com ela, uma legião de pingüins e leões marinhos. O mar tem seis metros a mais do que se acostumou a ver naqueles velhos Atlas em nossas aulas de geografia. A Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro; a Vila Belmiro, em Santos; a praia da Boa Viagem, em Recife, e a Ponte dos Ingleses, em Fortaleza, e outros tantos cartões postares litorâneos estão debaixo d´água como Atlântida, a cidade perdida. Se houvesse um termômetro que medisse a temperatura média do mundo, o mercúrio indicaria 18ºC. Termômetro? É um mundo febril. É um mundo doente. É um mundo em extinção....
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28/05/2008 - Um novo golpe em nossos bolsos

O final do ano passado foi marcado pela extinção da CPMF. A oposição conseguiu derrotar o governo no Congresso e mandar esse imposto para o espaço. Foi uma festa. Mas tudo, ao que aparenta, não passava de demagogia. Afinal, saiu a CPMF, mas outros impostos tiveram seus índices elevados brutalmente, como o IOF. E agora, para piorar, cogita-se a volta da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira) sob um outro nome, com mais apelo psicológico, a CSS (Contribuição Social para a Saúde), trazendo cerca de 23 bilhões para os cofres do governo. ...
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24/03/2008 - Um pássaro que não passa

Um pássaro pousou na minha varanda. Entre variações de amarelo e cinza, ele era baixinho e até um pouco barrigudo. Com olhos adocicados e parados no ar, olhava para mim como se me conhecesse. Querendo me cumprimentar, estufou o peito e cantou em tom caipira. E isso não foi tudo. Em cima de uma gaiola vazia de um periquito que fugiu com uma beija-flor, ele começou um caminhar dançado. Dois para lá, dois para cá, o pé batendo aqui e ali. Um vento norte chegou trazendo o som de uma sanfona e de batidas de palma. Belisco-me para ter a certeza de que estou acordado. Afinal, o tal pássaro dançava catira diante do meu nariz. ...
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24/08/2008 - Um pirata sem mar

O menino entristecera de uma vez. O pai não sabia o que fazer. A mãe chorava pelos cantos todo o pranto que restava em seus olhos, já fundos. Já tinham recorrido ao clínico geral, ao terapeuta, ao psicólogo, ao cientista, ao padre, ao mágico do circo e ao morro em dia de carnaval. Mas o menino não sorria, só tinha os olhos lançados ao céu das cotovias. Não queria saber de estudar, de passear, de jogar, de conversar, de cochilar... Não nem mesmo namorar, embora seu comportamento fosse digno de um apaixonado de sentimento tão convicto quão aflito. E isso levava todos à loucura. Já diziam que ele ia definhar até morrer. ...
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22/11/2008 - Um portal aos seus pés

Muitos se perguntam sobre um portal mágico, cujo destino é uma outra dimensão, uma espécie de paraíso perdido, uma manjedoura de sonhos. Todos perseguem, mas ninguém dá notícia deste lugar. E todos nós temos acesso a ele e nem percebemos. Afinal, você já parou para pensar o ralo do banheiro? Esse inofensivo mecanismo instalado sob seus pés tem a missão de levar suas expectativas, suas lágrimas, seus suores, as marcas de seu corpo, seus medos, as conversas que não se calaram, o dia que passou e o que ainda não chegou para um outro mundo....
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14/06/2008 - Um pouco Indiana

Estréia hoje o Homem-aranha número... Não percam o incrível Hulck... Com vocês, o Homem de Ferro... O Capitão América vem aí... Esses são só alguns dos diversos personagens em quadrinhos que tem povoado a tela do cinema e mexido com o imaginário das pessoas nos últimos tempos. Ao contrário de me imaginar como um desses super-heróis que são capazes de voar e ter força infinita, sempre vibrei muito com as odisséias de Indiana Jones.

Indiana Jones? Um professor de arqueologia e um aventureiro destemido em um mesmo corpo. Um personagem mais próximo do real, mas com toda a magia necessária para ativar o nosso subconsciente, levando-nos assim a mundos desconhecidos. Além disso, sempre gostei dessa coisa de deuses, enigmas e relíquias arqueológicas. A arca perdida, o cálice da última ceia, o templo da perdição são lendas que fazem parte do cotidiano de qualquer sonhador. E eu sonho... Por isso, dia desses fui ao cinema conferir o novo filme de Harrison Ford: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. ...
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12/07/2008 - Um sopro de luz chamado Halley

Com os olhares lançados ao vento quase agostino, velejo pelos quadriláteros do céu de inverno. Nesta época do ano, o manto negro que cobre a noite é mais espesso. Entre uma estrela tímida ali, uma vaidosa lá e uma outra perdida acolá, traço as linhas de constelações famosas e me pergunto pelo cometa de Halley. Foi esse cometa que trouxe a minha vida a idéia de finitude, de morte, de efêmero. Pudera, ele só passa sob nossos céus a cada 76 anos. Privilegiados os que conseguem vê-lo por duas vezes. ...
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