Ou exibir apenas títulos iniciados por:
A  B  C  D  E  F  G  H  I  J  K  L  M  N  O  P  Q  R  S  T  U  V  W  X  Y  Z  todosOrdernar por: mais novos título
Encontrados 21 textos. Exibindo página 2 de 3.
Metamorfose
Ela chega sozinha. Toca a campainha e quando se dá conta de que nem a mãe nem o irmão nem a tia nem a irmã nem a governanta estavam ali, a solidão perde força para outra sensação não menos devassa. A maçaneta dança nos olhares apreensivos da menina ao tempo em que a porta a enclausura em medos desconfortáveis. Os olhos daquele que abrira a porta lhe fazem querer ir embora a qualquer preço. No entanto, sobe em sua garganta uma vontade de ficar com tal intensidade, que desafina as cordas vocais e de sua boca não sai nada além de um miado. Não tem decotes ou fendas, mas sente-se nua diante daqueles olhos engessados em seu corpo....
continuar a ler
03/04/2008 -
Minha vingança será maligna
Menino de nove anos é marcado com ferro quente usado para marcar gado, com as siglas do proprietário. Dengue é mal combatida em 48 por cento das cidades brasileiras, foge do controle e governo quer apelar para Cuba. Justiça decreta prisão do pai e da madrasta da menina de cinco anos que foi jogada do sexto andar do próprio apartamento. Um senador da República chama a ministra da Casa Civil de cacarejadora. Macaco morre de febre amarela, uma doença que representa o atraso de uma civilização, no Paraná. Professor é morto na frente de alunos no interior de São Paulo. Um ex-ministro e deputado federal cassado afirma que a Constituição não proíbe um eventual terceiro mandato presidencial. Empresária que torturava menina, com algemas e tesouras, se revela sádica e cruel para um grupo de médicos. ...
continuar a ler
12/12/2008 -
Missão Impossível
Embora soe como nome de filme de ação, o título deste texto indica a tarefa a ser cumprida pelo papai-noel em solo brasileiro. O Natal se aproxima e quem esperava alguns presentes especiais vai ficar a ver bonecos de neve. Por aqui, a taxa de juros continua alta e irredutível. O bom velhinho não conseguiu convencer a chefia do Banco Central a colocar mais lenha na lareira. E se o período natalino está morno, o que dizer do início de 2009 que já bate a nossa porta?
O preço dos combustíveis continua nas alturas. Será que o papai-noel não consegue transformar a alardeada auto-suficiência da Petrobrás e o tal do pré-sal em gasolina mais barata? Além disso, o senhor de vermelho poderia combater a dengue, as enchentes, a hantavirose e a corrupção. Isso sem falar nas taxas bancárias e da carga tributária que andam metendo a mão, sem dó, em nosso bolso. Se não for exigir demais, que ele faça cumprir as promessas dos politiqueiros nas áreas da saúde, educação, segurança... ...
continuar a ler
27/06/2008 -
Morreu dona Ruti
Morreu dona Ruti. Não, caro(a) leitor(a), não falo da dona Ruth, mas da dona Ruti, com "i" mesmo no final. Assim como a ex-moradora do Palácio da Alvorada, a nossa personagem, lá da periferia paulista, morreu do coração essa semana. Mas, ao contrário da sua xará, morreu na fila do hospital público. Não tinha médico nem leito para socorrê-la. O filho havia se envolvido com droga há alguns anos e sido morto por traficantes. O marido, seu Ferdinando, assim como Fernando Henrique, estava fora na hora fatal. De certa forma, fazendo política. Afinal, tinha que convencer o seu Joca, dono da casinha onde moravam, a arrastar o aluguel por mais alguns dias. Sendo assim, dona Ruti morreu sozinha ao lado de outros tantos anônimos, doentes e abandonados como ela. ...
continuar a ler
25/06/2008 -
Muitas surpresas para 2010
Lula tem dito aos quatro ventos que não fará nada para disputar as eleições de 2010. No entanto, deputados petistas insistem na idéia de um projeto que o leve à re-reeleição. A única coisa certa, por enquanto, é Luís Inácio insiste em querer dominar o jogo e embolar o meio-de-campo. Quando o assunto é eleição, se for pênalti ou falta a 100 metros de distância, ele quer cobrar. Depois de disputar todas as eleições presidenciais dos últimos 10 anos, será difícil Lula ficar no banco de reservas.
...
continuar a ler
Mulher anelada
Entardecia e algo reluzente brilhava junto à sarjeta. Ali onde a chuva se faz enxurrada. Podia seguir sem me importar com aquilo, mas a curiosidade me fazia ir ao encontro do desconhecido. Para minha surpresa, tinha nas mãos, um anel dourado (certamente de ouro, não me parecia bijuteria), com três pedras brancas meio retangulares incrustadas. Uma bela jóia. Quem a perdera, no mínimo, devia estar bebendo um drinque amargo de angústia.
Mas como o anel fora parar ali? Não havia nenhuma joalheria por perto, ninguém cabisbaixo a sua procura. Podia ser um anel de estimação, um anel de noivado, um anel ainda não usado. Ela poderia estar aos prantos, pela perda, pelo dês-compromisso, pelo não presente. Pensando melhor, descarto essa última possibilidade, o anel parecia conter um "qu" de mulher. Podia ter caído levemente do dedo feminino ou podia ter sido jogado contra o chão com todo ódio. Nos dois casos, inconsciente ou consciente da perda, a mulher seguiu sozinha. Como uma espécie de cinderela. Mas será que ela fugiu antes de alguma meia noite? Será que sua carruagem se transformou em abóbora? Será que seu príncipe encantado não achou o anel?...
continuar a ler
Mulher de bagdá
Uma mulher anda pelas ruas de Bagdá. Militares americanos, britânicos, alemães. Escombros. Ruínas. Destroços. Não se sabe se as ruas são feitas de pedra ou se as pedras são feitas de ruas. E por linhas tortas de um destino mais torto ainda aquela mulher de rosto coberto, de braços cobertos, de pernas cobertas caminha descalça à procura de um filho que a guerra levou.
Em cada rosto, um medo.
Em cada medo, um rosto.
Em cada rosto, uma dor.
Em cada dor, um gosto e um desgosto....
continuar a ler
Mulher de branco
A mulher de branco não se revela. Pode ser enfermeira. Mãe de santo. Noiva. Médica. Dentista. Estudante de fisioterapia. Uma sobra de reveillon. Uma mulher de verão (leve). Uma mulher supersticiosa. Uma fase. Um ritual. Uma eventualidade. Uma roupa para malhar. Para namorar. Para ser vista. Para ser confundida. Para ser mistério. O mistério de reunir em si a junção de todas as cores. Mulher que tudo reflete e nada absorve, fazendo-se ausência.
Então, que venham as mulheres de branco. ...
continuar a ler
Mulher sentada à beira do caminho
Quem é a mulher sentada à beira do caminho. O que pensa a mulher sentada à beira do caminho. O que espera a mulher sentada à beira do caminho. Quantos os sonhos que se sentam ao seu lado. Quantos os passos que caem na rede de olhares da mulher sentada à beira do caminho. Quantos os que passam e deixam seu passar mudar de direção diante da mulher sentada à beira do caminho. Qual o tempo da mulher sentada à beira do caminho? Será o tempo dos incas, dos persas ou dos parnasianos? Quais os motivos que motivam a mulher sentada à beira do caminho? Quanto sexo é feito e desfeito nas cinzas da mulher sentada à beira do caminho. Quanto de deus há na mulher sentada à beira do caminho? Quantas as saudades em busca de caminhos que sentam no colo da mulher sentada a beira do caminho. Quanto de amor e quanto de guerra há na mulher sentada à beira do caminho. Quantos dias entardeceram e anoiteceram e amanheceram nos lábios da mulher sentada à beira do caminho. Quanto de luz há na sombra da mulher sentada à beira do caminho. Quantas flores e quantas pedras no sentar da mulher sentada à beira do caminho. Quanto de silêncio se silencia e quanto do silêncio se revolta e grita e canta e suspira na mulher sentada a beira do caminho? Quantos apóstolos tentaram e desistiram de seguir a mulher sentada à beira do caminho. Quem está por trás da mulher sentada a beira do caminho. Qual o caminho da mulher sentada à beira do caminho. Será de copas ou de ouro o blefe da mulher. Qual o vento que pousa na mulher sentada à beira do caminho. Quantos trevos têm a folha da sorte dos olhos da mulher sentada à beira do caminho. Quanto de mar ainda há nos pés de areia da mulher sentada à beira do caminho. Quantos se enforcam diante da mulher sentada à beira do caminho. Quanto de si já se perdeu na mulher sentada à beira do caminho. Quanto do perfume já se impregnou no cheiro da mulher sentada à beira do caminho. Quantas as cores que já se descoloriram no camaleão que habita a mulher sentada a beira do caminho.
Mulher, chuva e café
Chovia. Mais um desses fins de tarde em que não se sabe se a cor do céu é negra por causa do prenúncio da noite ou por causa da chuva. As nuvens grossas impediam a lua de decifrar a charada. Tirante às dúvidas, chovia. Não aquela chuva de pancadas fortes que, de tão fortes, só acontece de repente. Chuva esta que precisava tomar fôlego para chover e, entre essas pausas, fazia com que sombrinhas se abrissem e tão logo se fechassem com ares de coreografia.
Mas, desta vez, era uma chuva leve que, de tão leve, fazia-se constante. Chuva que sufocava a poeira e deliciava a terra. Enquanto chovia esquentavam água nas chaleiras para o café. Chuva e café, um casamento feliz. E o cheiro do café misturado ao cheiro da chuva saía pelos ventos. Ventos que, como a chuva, caiam leves. O vento trazia o perfume da chuva e ganhava o perfume do café. Talvez, depois que se findasse a chuva, os aromas seriam outros. Não era para menos, a primavera estava a caminho. Mas isso ficaria para depois, por enquanto chovia....
continuar a ler


