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Encontrados 43 textos. Exibindo página 4 de 5.
Pormaiores
Por onde anda aquela lua que nos olhava cansada? Por onde anda o silêncio que varria nossas bocas? Independentemente da primavera, por onde andam as flores? Por onde andam os tantos sonhos? Será que andam esquecidos? Será que andam guardados? Será que andam abandonados? Seja lá como andam, andam calados. Por onde andam os sorrisos? A boca traz um gosto amargo, um gosto de saudade. Por onde andam as conversas? Por onde andam nossos destinos? Eu não sei dos amanhãs, mas as lembranças caminham pelos caminhos do meu corpo. Por onde andam os primeiros pássaros? Por onde andam aquelas expectativas? Por onde andam as ruas escuras? Por onde anda o até amanhã? Por onde anda aquele sol que era motivo de reclamações? Por onde andam os pormaiores neste universo de pormenores?
25/12/2008 -
Pozdrevlyayu s prazdnikom Rozhdestva is Novim Godom
Estranhou o título? Pois bem, é feliz natal em russo. Afinal, graças à crise mundial que abalou sobre o mundo, a coisa está russa. Quem acostumou a se fartar de leitão no natal em razão do preço do bacalhau e do peru, teve que engolir trinta por cento de aumento na carne suína. Mas o Lula está otimista. Então, digo para ele: Kala Christouyenna! Não entendeu nada? É feliz natal desejado em grego. Afinal, a esperança criada em torno do operário foi um belo presente de grego que nos demos há alguns natais. ...
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16/07/2008 -
Pra onde vão os celulares?
A troca de celular virou rotina. Hoje, o aparelho telefônico móvel é substituível como qualquer peça de roupa ou acessório. Há uma verdadeira indústria da moda tecnológica por detrás dessas máquinas da comunicação moderna. Mas você já parou para pensar para onde vão os celulares antigos? Pois bem, uma pesquisa revelou que apenas três por cento dos celulares usados, em todo o mundo, são reciclados. Se você ficou assustado, se prepare: No Brasil, esse número cai para dois por cento. E o restante? Fica perdido por ai... ...
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14/10/2008 -
Pra valer a pena
Pra valer a pena, a vida não pode ser pequena. Pra valer a pena, há de haver um coração, um poema. Pra valer a pena, o resultado tem que ser dois no teorema. Pra valer a pena, vale sofrer com os leões da tua arena. Pra valer a pena, ria com hienas e voe sob renas. Pra valer a pena, há de se poetizar o trema. Pra valer a pena, encare o dilema sem se abater. Pra valer a pena, seja mais que prazer. Para valer a pena, não pode faltar um drama, um romance, um cinema. Pra valer a pena, a emoção tem que rasgar a cena. Pra valer a pena, há de se, absolutamente, viver. Pra valer a pena, há de se decidir entre o querer e o dês-querer. Pra valer a pena, há de captar um outro mundo em sua antena. Pra valer a pena, há de se jogar ao tema. Pra valer a pena, amena. Pra valer a pena......
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01/11/2008 -
Prece a todos os santos
Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das virgens, Mãe, Rainha e Auxiliadora dos Cristãos, rogai por nós que recorremos a vós. São Miguel, arcanjo do combate e da defesa espiritual, rogai por nós. São Rafael, arcanjo da cura espiritual, rogai por nós. São Gabriel, arcanjo da anunciação, rogai por nós. Todas as ordens de anjos e santos e espíritos de luz, rogai por nós. São José, padroeiro dos que trabalham, rogai por nós. São José, padroeiro das famílias, rogai por nós. São José, padroeiro dos lírios de leite, rogai por nós. ...
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10/09/2008 -
Prêmio de loteria
Hoje eu vou jogar na loteria e ganhar o tesouro que pirata nenhum ousou enterrar. Não tem erro não, joguei nos números que encontrei nas asas de uma borboleta que pousou na galha do pé de arruda, que nasceu no buraco da ferradura, bem ao lado de uma árvore da felicidade. Não tem para biscoito da sorte chinês ou matemático enlouquecido, vou meter a mão nessa fortuna e ter vida de presidente. Só estou em dúvida se compro um palácio, uma casa da Dinda ou uma caixa forte igual a do tio Patinhas.
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Presente
A luz do abajur se espalha cansada. Os olhares não sabem se ficam nos ponteiros vagarosos do relógio ou nas bordas do horizonte escuro. Na verdade, ficam nas tantas coisas que ficaram e não eram para ficar. Uma sede de amanhecer. De se encontrar com o novo. Mesmo que o novo se resuma a uma folha de calendário. Não importa. A possibilidade de se livrar desse tempo presente traz-me um certo alívio. Aos pés da cama, alguns frascos de remédio. Calmantes. As doses aumentam, noite a noite, mas de pouco valem. O corpo parece hipnotizado, tomado por uma espécie de insônia. Os discos são os mesmos da noite anterior. As páginas dos livros são as mesmas de anteontem. Até os passos que riscam o piso são os mesmos de duas ou três semanas atrás. Não se sabe mais se é calor, ou febre ou qualquer coisa que faça mal. Perdi a conta das vezes que o corpo entrou debaixo do chuveiro. Mas até a água parece ser a mesma das vezes passadas. Não existe nenhum sentimento novo rondando no ar. Até os olhares são os mesmos. Os mesmo olhares nascem em outros olhares como um filme que não valeu. Mas quem sabe, quando o dia amanhecer, o mundo seja diferente. Quem sabe, quando o dia amanhecer, a luz invada o útero daquele velho mundo e fecunde ali, outros sonhos, outros sabores, outros tempos.
Previsões
Um dia, não sei há quanto tempo distante de mim, a mulher do poema estará solitária em casa. Estará à vontade, vestida de pés descalços e uma calça qualquer. Sozinha, do verbo solidão, divorciada ou à espera de um marido. Por quem espera pouco importa, em qual cidade, sob qual motivo... Não sei. Profetizo apenas que ela estará em seu quarto abrindo e vasculhando gavetas à procura de não sei o quê. Talvez buscasse algo tão irrelevante que nem valha a pena descobrir. Procurará as voltas com uma ansiedade já conhecida. ...
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Primavera de esperas
Primavera. Oficialmente, os calendários manifestam a estação mais esperada pelos apaixonados de carteirinha. Consciente disso, mas não sei se por isso, ela tinha um sorriso mais farto no rosto. Na mesa de centro, um jarro com alguns copos de leite. Eles não precisavam da primavera, davam quase o ano todo, mas na primavera pareciam mais vistosos, mais brancos, nascidos de algum seio. E ela adorava copos de leite.
Gostava também de ir ao armário embutido do seu quarto e sair de lá com um vestidinho leve e florido, com umas sandálias rasteiras e com uma fita no cabelo. Saía caminhando por sua rua à sombra dos ipês amarelos que não existiam ali. Como sonhava com aqueles ipês. Sentava-se à sombra de uma árvore que além de não ser ipê não dava flores. E ficava por ali, à espera de alguma inspiração de primavera. Quem sabe o vento lhe soprasse a melodia de uma música e ela pudesse ir ao piano. Piano que não tinha. Quem sabe escrevesse algum poema, mas nunca escrevera um verso sequer. Quem sabe surgisse um grande amor, mas ela sabia que grandes amores não se esperam. ...
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Principado
Depois do baile, quero encontrar teu rosto. Depois das músicas, teu vestido. Depois das linhas, teu texto mais íntimo. Talvez não me convide. Talvez me agrida. Mesmo com todos os riscos, quero encontrar teus últimos passos no salão vazio. Não sei se irei segui-los, mas quero encontrá-los. Quero encontrar tuas confissões pelos cantos, amordaçadas por algum capataz do silêncio. E quem sabe ainda dê tempo. Tempo de uma dança. Tempo de te ver dançar. Quem sabe a música não volte. Quem sabe algum compositor perdido na noite ou no fim da noite resolva se perder por ali. Talvez esteja cansada. Os cabelos talvez já estejam de outra cor. Quem sabe acabemos com a última nota. Quero encontrar teu sorriso após o baile. E se eu não souber dançar? E se não quiser conversar? Deixaremos nossos olhares num balé de silêncios como sempre fizemos. Olhos nos olhos. Silêncio. Os movimentos exaustos. O corpo amarrotado de cumprimentos. Ao fim das contas, o baile será teu. E depois daquela nossa dança de silêncio, com os olhos sonolentos, talvez queira um prato de talharim. Massa. Não conheci ninguém que gostasse tanto assim de massa. E mesmo com manequim de bailarina, certamente, tocará no assunto das dietas, dos regimes. Coisas de mulher. Mas logo jogará todas as regras e dogmas para o alto. Coisas da menina que nunca lhe deixara ou que você nunca quis deixar. Não sei. E, cambaleante de ilusão, sairá escorada na minha contradança. Num último ato, levaremos as últimas luzes do baile para a chama de uma vela solitária. Uma vela ardente dividindo a cor e o furor dos nossos olhares. E se houvesse vento a chama bailaria em silêncio nos olhos que sempre se silenciaram. Se houvesse vento...


