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Encontrados 43 textos. Exibindo página 1 de 5.
Pantofobia
Medo de bala perdida. Medo de juros bancários. Medo da cotação do dólar. Medo de se envolver demais. Medo de dar e de não dar esmola. Medo aéreo, terrestre, aquático e até subterrâneo. Medo do aquecimento global. Medo de calorias. Medo do estresse. Medo de andar na rua à noite e durante o dia também. Medo de sinal vermelho. Medo de não ficar desempregado. Medo de politicagem. Medo dos extremos. Medo dos ácaros. Medo do diferente. Medo da dor. Medo de lugares fechados e abertos demais. Medo de vento, de redemoinho, de furacões e de outras variações do sopro divino. Medo de ficar sozinho. Medos das flores do espinho. Medo do fracasso. Medo de fenômenos cósmicos. Medo de ser roubado. Medo do espelho. Medo do conhecimento. Medo da segunda-feira. Medo de estar sendo vigiado. Medo de se apaixonar. Medo de ser avaliado negativamente. Medo de pensar. Medo de envelhecer. Medo de sentir prazer. Medo de tecnologia. Medo de mudanças. Medo de sonhar. Medo de ter responsabilidade. Medo de ser tocado. Medo da exclusão. Medo da felicidade. ...
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Para além do espelho
- Oi.
Silêncio.
- Eu acho que não nos conhecemos?
Silêncio.
Silêncio.
- Você se lembra de mim?
Silêncio.
Silêncio.
Silêncio.
- Você está de passagem?
Silêncio.
Silêncio.
Silêncio.
Silêncio.
Você não vai dizer nada, não é?
Silêncio.
Silêncio.
Silêncio....
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08/03/2008 -
Parabéns pelo seu dia
Ela acordou de um jeito que não costumava acordar. Horas antes e com um sorriso no rosto. Geralmente ela acorda tarde e com um mau-humor doentio. Mas hoje foi diferente. Abriu os olhos num contentamento estonteante. Pulou da cama, procurando algo. Vasculhou todo o quarto. Debaixo da cama, dentro do guarda-roupa, atrás da cortina. Pegou o telefone celular e começou a desbravar possíveis chamadas. Depois de ausências e desencontros, o sorriso começou a ficar desbotado.
Decidiu então tomar um banho. Quem sabe assim acordava de seu pesadelo. Os olhos escorriam como os fiapos de água vindos do chuveiro. Calma! Calma! Repetia em seu íntimo. Decidiu sair do banheiro e enfrentar a realidade. O quarto parecia um imenso deserto. Ela se sentia um cacto. Solitária e entregue a um sol-ardor que a devorava. Onde estavam os buquês de rosa? Onde estavam os bombons? Onde estavam os "parabéns pelo seu dia" e outros tantos dizeres bonitos. ...
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14/02/2008 -
Parar ou não, eis a questão
Qual a idade certa de parar? A maioria dos brasileiros pára lá pelos 70 anos quando consegue, depois de muito suor, a parte que lhe cabe deste latifúndio - o famoso salário mínimo. E os ídolos? Para quem aposenta cedo demais, fica a sensação de ter deixado alguma coisa por fazer. Do outro lado, há o risco de virar um herói decadente.
Há quem se aposente no auge. A cantora Celly Campelo, aos 20 anos, decidiu sair de cena em pleno sucesso. Outros vão protelando. Romário, com mais de 40 anos e mil gols, insiste em não pendurar as chuteiras. Existe ainda a possibilidade de essa decisão ser do destino, como aconteceu com o jovem ator Luis Carlos Tourinho. ...
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12/09/2008 -
Patacoada
A comunidade científica está em festa após a construção da máquina gigante que possibilitará dar uma espiadinha na noite de núpcias de Adão e Eva. Enterrado a cem metros da superfície terrestre, entre a Suíça e a França, o LHC (Grande Colisor de Hádrons) tentará descobrir a origem e o funcionamento do universo. Seria só mais uma vaidade científica se não houvesse o risco da Terra ser tragada para um grande buraco negro. E para os românticos há outra ameaça: a lua pode desaparecer do céu após ligarem esse aparelho maluco que gera um micro-buraco negro por segundo. ...
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09/10/2008 -
Pausa poética no cotidiano
Cotidianos carregam concreto nos andaimes. Cotidianos lavam carros no meio-fio. Cotidianos arrastam vassouras. Cotidianos passam apressados com pastas, bolsas e celulares tocando, despertando, falando. Cotidianos digitam números, contam dinheiro, carimbam documentos, entregam panfletos, fazem anotações técnicas, nada poéticas. Cotidianos correm. Cotidianos malham. Cotidianos duelam contra seus próprios limites. Cotidianos se sufocam. Cotidianos discutem com o computador. Cotidianos decifram livros, códigos, fórmulas. Cotidianos aparam a grama. Cotidianos têm tantos planos que sempre caem no mesmo jeito cotidiano de ser....
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07/03/2008 -
Paz verdadeira
Ao saber que o presidente da Venezuela, Hugo Chavéz, está em busca da paz verdadeira fiquei preocupado: será que já começou a época dos paturis? Lembro de ser percorrido pelo vento, em silêncio, na varanda das árvores. Há uma diferença entre casa na árvore e árvore na casa. O meu caso é o segundo! São dezenas de joão bolão, pau-d´alho, imbaúba, amoreira, castanheira, ameixeira amarela... E eu ali, no meio daquele verde com os olhos divididos entre o céu e o lago...
Fico entregue a um movimento constante. Cabe destacar que a vida é a arte do ir e vir. Bandos e mais bandos de paturi pousam no lago e ficam por ali a deslizar. Pés de todos os tamanhos vão se movendo em fila indiana, criando trilhos azulados e provocando pequeninas ondas que se quebram contra o barranco, que abriga os ninhos das tilápias. São aves pequenas, de penugem escura, que mergulham a cabeça na água em busca de alimento. Fico horas observando-as. ...
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16/06/2008 -
Pé de Graviola
Por ter sido criado com um pé no sítio, sempre achei que conhecia tudo de fruta. Mas me enganei ao ver Marilene chegando em casa com uma sacola pesada em uma das mãos. Estranhei o que ela trazia. Afinal, era uma fruta verdolenga, de casca fina e falsos espinhos, com mais de cinco quilos. O nome desta preciosidade? Graviola. Ora, ora, desde que quando existe graviola do tamanho de jaca? Desde sempre, segundo minha amada mineirinha
Fiquei encabulado com aquilo, afinal, para mim, graviola era fruta pequenina e não um monstro daquela proporção. O que ela tinha de pesada, tinha de perfumada. Em poucos segundos, seu cheiro se alastrou pela casa. Quando parti a fruta desconhecida, a minha surpresa. Seu interior era como uma grande pinha, branco neve com sementes pretas guardadas em gomos. E o gosto, difícil de explicar, era de um doce azedinho. ...
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12/03/2008 -
Pecados modernos
Recebo com espanto a notícia de que o Papa Bento 16 modificou a lista de pecados capitais. De nada valeram as horas e mais horas que passei decorando -gula, luxúria, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça - para as aulas de catecismo. Como não foi Deus quem escreveu esta lista e sim outro papa (Gregório), o fato de vê-la alterada não é o mais gritante. Ainda mais quando o propósito é o de aproximar a igreja da realidade.
Achei louvável o papa dizer que poluir o ambiente é pecado. Afinal, o Planeta é uma espécie de divindade e toda vez que o agredimos, pecamos. Causar injustiça social ou pobreza também é digno de pecado, afinal, na teoria, somos todos iguais. Ainda neste sentido, tornar-se extremamente rico também virou motivo de confissão. Vale dizer que já há 18 brasileiros na lista dos mais ricos do mundo. O fato de usar drogas ser considerado pecado remete a idéia da destruição da vida, que é patrimônio celeste. É claro que pecar ou não é uma decisão do nosso livre arbítrio. ...
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19/11/2008 -
Pechincha
Para quen é que eu peço um desconto nesta minha caminhada? Será para o Criador? Um abatimento na ordem de 20 por cento das pedras que rolam em meu caminho já me livraria de muita coisa desagradável. E este pedido deve ser legal, já que nesta feira livre chamada vida vale de um tudo. Muito é adquirido, muito é perdido, muito é passado para frente, muito é trocado... Na maioria das vezes, lucra quem grita mais alto, quem tem maior poder de ilusão, quem coloca tudo em liquidação ou, simplesmente, quem apele para a instituição da pechincha....
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