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Encontrados 526 textos. Exibindo página 7 de 53.
18/04/2008 -
Ataque e contra-ataque
O Brasil precisaria ser um time, de carne e espírito. O nosso time do coração. E o maior de seus títulos devia ser a felicidade de cada cidadão. Brasil, meu Brasil brasileiro, texto de um estádio e pretexto de uma várzea. As chuteiras dos governantes deviam ter as marcas de uma dedicação total. Aliás, nem presidente, nem deputado, nem governador deviam jogar de salto alto. Todos deviam estar no mesmo nível desse tapete verde e amarelo. Afinal, mesmo tortos, os passos dessa gente guerreira são poéticos como as pernas de um anjo que já foi jogar em outro lugar. Que me perdoem os intelectos, mas nossos garranchos são garrinchas....
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10/02/2008 -
Até amanhã
Oi. Olá. Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Como vai você? Salve. Tudo bem? Quanto tempo?! Tchau. Prazer. Adeus. Boa sorte! Sucesso! Paz e bem. Axé. Quais as novas? Deus te abençoe. A gente se vê. Volte sempre. Até breve. Até já. Até logo. Até amanhã. (...) Não se assuste, leitor. A abertura deste texto é um pequeno exemplo de como o nosso cotidiano é formado por um emaranhado de saudações.
Diferente das pedras e das plantas, que são mais discretas, os animais se saúdam se lambendo, se cheirando, se esbarrando, emitindo sons. Que o diga nossos apertos de mão, beijos no rosto, abraços, tapinhas nas costas, inclinação da coluna. Definitivamente, o corpo fala. Mas o gestual fica para uma próxima conversa. Para não desviar a rota deste texto, vou me nortear por algumas das saudações que estiveram ou estão na ponta da língua da humanidade. O Avé Cesar, saudando o imperador romano Júlio César, e o Hi Hitler, referente ao líder nazista, são exemplos de saudações que marcaram uma época. Já o amém, dos cristãos, que significa assim seja, rompeu os limites dos templos e do tempo....
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28/02/2008 -
Até Mocha caiu
Quando a guerra termina? Quem acredita que a guerra acaba quando cessam os tiros e sela-se um acordo de paz entre lideranças governamentais, engana-se. Depois que se inicia, a guerra não tem mais fim. Dentre tantos prejuízos (materiais, morais, emocionais), alguns são impossíveis de serem recuperados...
A dor de uma criança que perde o pai, a dor do pai que perde a mulher, a dor da mulher que perde o corpo, a dor de tantos corpos que perdem o presente e vêem o futuro como um tempo que nunca chega... Para esses seres humanos, a guerra irá explodir para sempre dentro de seus pensamentos. A guerra destroi. A guerra corroi. A guerra doi. E doi instensa e infinitamente....
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17/10/2008 -
Até onde você é capaz de ir?
Uma das atitudes românticas de maior sucesso na história da humanidade é a de Romeu e Julieta, que morreram por amor. É um típico caso onde, movido por um sentimento, ultrapassa-se a barreira da normalidade. Diante disso, será que é tão anormal assim o gesto do rapaz que mantém a ex-namorada seqüestrada por dias a fio? Esses rompantes do amor são totalmente censurados nos dias de hoje. Culpa do tédio o qual atravessa o romantismo. Não há nada de novo no ar. Flores e chocolates já estão mais do que batidos. Mas falta coragem para inovar. E, pior de tudo, falta coragem para assumir o que já é aceito nos filmes, no teatro, na literatura. Por que essa distância tão grande entre o vivido no real e o desejado na ficção? ...
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15/02/2008 -
Até tu, Milton?
Sei que ainda existem milhares de trabalhadores escravos. Sei que a Lei Áurea, a CLT e a Constituição nunca foram cumpridas por todos. Sei que desde 2004, fruto de acordos internacionais, já foram libertados mais de 27 mil trabalhadores de fazendas situadas principalmente no Pará, Bahia e Tocantins.
O que eu não sabia é que o pai do meu super-herói preferido será julgado pela Justiça do Trabalho da Bahia como réu em duas ações por prática de trabalho escravo. Em uma fazenda de seis mil hectares no oeste baiano que tem como um dos proprietários o Sr. Milton Senna foram resgatados 82 trabalhadores e emitidos 29 autos de infração. ...
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03/03/2008 -
Avalanche de chocolate
Tentei fugir, mas eles eram milhares. Os corredores do supermercado se fecharam. Fiquei sem saída. Fui atacado pelos ovos de páscoa. Faltam mais de vinte dias para a data festiva e eles já estão lá, aos montes. De todos os tamanhos, de todas as cores, de todos os formatos... Pendurados ou em prateleiras, eles contrariam a hierarquia da cadeia alimentar e nos devoram vivos...
Há quem faça a promessa do mais espesso e puro chocolate. Há quem traga brindes para atrair a criançada, como carrinhos e bonecas da moda. Há quem se envolve de mistério sobre seu conteúdo. Há quem tenha amendoim, castanha do pará, coco, nozes, passas... Há os brancos e os negros e os mulatos. Naquelas duas metades há gêmeos univitelinos (idênticos) e bivitelinos (diferentes). Há quem capriche no papel e nos desenhos. ...
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Avalanche no deserto
A noite parece ter caído toda de uma só vez a ponto de não ter mais nada para cair até o amanhecer. E não passava das 21 horas. Nas mãos, um copo de água com açúcar. A sensação de o mundo, por alguns segundos, ter se apoiado em suas costas. Os pensamentos revirados. As emoções desencontradas. Andava em círculos. Amanhã teria de acordar cedo, mas o sono não vinha. Talvez não viesse nunca mais. Ora tinha vontade de trancar a porta do quarto ora queria abrir o portão e caminhar na rua, descalça. Não sabia o que queria. Poucas vezes se viu tão confusa. O telefone, cheio de impressões digitais e de confissões não dizia nada. Parecia exausto. Por hora, deitou no colo da mãe, fez um monte de perguntas abstratas e fugiu antes do final do abraço. Parecia sufocada. Colocou um disco. E talvez a música servisse para abafar o choro, que já era tão quieto. Foi para frente do espelho, vestida com uma jóia ainda não vista pelo espelho e os olhos não entendiam as lágrimas. Olhos que se agarravam a algumas linhas repetidas vezes. Guardou o colar embrulhado no papel e abriu a janela. Não tinha nada para ver lá fora, mas olhava fixamente para si mesma. E ali, entre um gole e outro de açúcar, separava sentimentos dos nós que a vida havia dado. De repente, desceu da janela e ganhou a cama. De repente, um suspiro. Estava feliz. Contente da vida. E mais uma vez, o disco, que se repetia pela sétima vez, abafava seus risos calados. Virou de lado e dormiu em paz. Só tinha um único medo, o medo de ter certeza.
02/08/2008 -
Baile de debutante canino
Por mais absurdo que pareça, eis que está na moda fazer festa de aniversário para cachorro. E não falo de qualquer festinha. É festa de arromba mesmo. Com direito a comes e bebes, decoração requintada, lembrancinhas caninas, música ao vivo e notas em colunas sociais. As emergentes da alta sociedade - as socialites - querem que suas "filhinhas" tenham tudo do bom e do melhor. As amigas vão e levam os cãovidados. É pedigree para cá, é amestrador para lá. É um luxo só.
Ao contrário de jogar a comida no chão e deixar a cachorrada presa no quintal, os cães são tratados como estrelas. Para se ter idéia, as festas são temáticas. De preferência, os aniversariantes escolhem os 101 Dálmatas. Tem bolo de ração, brigadeiro de ração, aperitivo de ração. Para beber, tem caldo de carne. Cães de todas as raças se dividem entre o jardim, a piscina e o interior da casa. E os cachorros vão todos produzidos. Tomam banho, cortam o cabelo e fazem as unhas. Além do salão de beleza, ganham uma massagem relaxante e um laço para realçar o pêlo. ...
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12/02/2008 -
Balde de água fria
Há sempre um balde de água fria para uma empolgação acalorada. Essa frase ainda não entrou para a galeria de ditados populares, mas é forte candidata. Uma das mais recentes vítimas desta máxima foi o estardalhaço em torno do biocombustível. O próprio Lula abraçou essa fonte de energia como um trampolim para o Nobel da Paz, assim como Clinton.
Diante de discursos inflamáveis, o biodiesel virou mania nacional a ponto de o desmatamento amazônico ser "justificável". Depois de três anos de redução, a taxa de derrubadas disparou em 2007. A verdade é que os oportunistas estão usando o discurso de planeta saudável para encher a Amazônia de soja (usada para produzir o eco-combustível). ...
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10/12/2008 -
Barbárie, barbárie
Quero um elmo, uma armadura, um escudo e um cavalo marchador. Não, não quero ser um cavaleiro da Távola Redonda ou um novo Dom Quixote de La Mancha, quero apenas passar incólume por essa multidão que não sabe para onde e nem por que o vai com esse passo desmedido, corrido, iludido. Quero blindar-me, quero isolar-me, quero exorcizar-me desta seita de passistas e motoristas e ciclistas e motociclistas - os artistas do caos. E enquanto as donzelas se fartam dos bárbaros que passam sobre suas janelas, as senhoras da sociedade expurgam: barbárie, barbárie! ...
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