Daniel Campos

Prosas

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18/05/2010 - A esperança deixou de ser esperança

Infelizmente é verdade. Constatei isso ontem quando uma esperança, aquele inseto de antenas longas primo do gafanhoto, pousou na janela da cozinha lá de casa. Cheguei a achar que era uma espécie de grilo ou um louva-deus de batina franciscana. Afinal, o bicho era colorido num tom marrom bem diferente daquele verde que caracterizava seu nome. No entanto, não havia como questionar: era, de fato, uma esperança.

A esperança então ficou no fato daquela esperança ser uma aberração de sua espécie, vítima de alguma mutação transgênica. Mas ao olhar pela janela, um sinal do fim dos tempos. Dezenas de esperanças descoloridas, tingidas numa coloração amarronzada, caminhavam pelo jardim. O que aconteceu com a esperança? Perdeu-se pelo caminho. O que se via eram insetos tão desesperançosos quão sua nova cor. ...
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12/03/2012 - A essencialidade do sono

Frações de segundo antes de pegarmos no sono é como se nosso organismo fosse vítima de um blecaute de energia. Há um colapso temporário de consciência. Por excesso de atividade, a chave geral é desligada depois da queda de alguns disjuntores. O sono, sem dúvida, evita um curto-circuito de danos irreparáveis ao nosso corpo. O equipamento é poupado e as baterias são recarregadas.

Minutos antes de embarcarmos nas correntezas do sono há uma queda gradativa de linhas de transmissão. Cérebro e coração, mais do que nunca, nesses instantes críticos, não falam a mesma língua. Várias panes parciais do sistema são observadas causando distúrbios e alterações de distintas proporções. Há um apagão de sentidos....
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08/08/2010 - A estrada e os pais

O meu pai dista do meu Dia dos Pais quilômetros, tempos a fio. Há um asfalto, interminável e negro, repleto de curvas e declives, separando-nos de um abraço. Os aviões que cruzam o céu agostino, tão azul quão seco, não me levam, tampouco o trazem para perto. Há uma série de acontecimentos, momentos e pensamentos passados envolvendo eu e meu pai se misturando em mim. Coisas ditas e não ditas se alvoroçando em mim. E a voz cavalga, já nem tão firme assim, pelas espirais do telefone.

Não há presentes, almoços ou outras tradições familiares entre eu e meu pai no dia de hoje. Apenas um cumprimento e uma saudação através de uma ligação telefônica. Hoje ele não vai me ensinar nada, não vai me levar a lugar algum, não vai me oferecer algo para comer ou beber. O tempo nos separa e hoje tudo é engolido a seco. Seco como o vento agostino que me traz lembranças, agradáveis ou não. Mas se eu o conheço, ao menos um pouco, sei que agora ele está ouvindo esta música, lendo o trecho deste livro, enquanto esconde os olhos embaçados atrás das lentes dos óculos....
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23/07/2016 - A estrela-flor do seu umbigo

Há tanto caminho pra seguir. Arruma as malas, pega só o necessário, coração não tem armário, mas no meu há todo espaço do infinito para você. E o certo é passarmos pelos caminhos e não os caminhos passarem por nós. Nós não somos amor de um sol, mas de vários sóis, de tantas luas... e a minha rua começa na sua boca e toda caminhada ao seu lado ainda é pouca perto do que quero caminhar contigo. E quero me guiar pela flor de estrela do seu umbigo.

Há tanto caminho para florir. E juntos nossos corpos fazem primavera. Não importa a época, pois somos da era dos amores-perfeitos, que colorem, perfumam, encantam e em tudo dão jeito. Nosso encontro é sempre um ponto cardeal. Amor mais doce que qualquer canavial. Olhos de mata verde, boca de cana madura, me leva à loucura numa viagem onde a única bagagem é o que sentimos um pelo outro. Entre nós, o destino não dá ponto solto. ...
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08/06/2008 - A extinção das cartas

Estou a ler um livro de cartas enviadas e recebidas por Vinícius de Moraes, organizado por Ruy Castro. Cartas escritas para a família, para os amigos, para as mulheres amadas. O livro foi um presente de meu pai. Trouxe-o comigo do nosso último encontro há quase um mês e, por diversas vezes, já o visitei. Debruçado sobre este livro, descobri que o mundo perdeu muito com o advento do telefone, da internet e de outros meios de comunicação do chamado tempo moderno. Não vou citar números, para não deixar o texto um daqueles relatórios chatos, mas as cartas foram praticamente extintas de nosso cotidiano. ...
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17/08/2008 - A extinção do brasileiro vencedor

Brasileiro só aceita título se for de campeão, e eu sou brasileiro! Embora eu pense exatamente assim, essa frase não é minha, mas do tricampeão mundial de Fórmula-1, Ayrton Senna. No entanto, essa frase perdeu o sentido ou, melhor, a prática. Nas Olimpíadas de Pequim os atletas tupiniquins estão felizes da vida com seus excelentes maus resultados. O que tem de verde-amarelo radiante por estar entre os últimos não é brincadeira. Será que Freud explica o contentamento de estar abaixo da expectativa? ...
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04/03/2010 - A extinção do pitbull

Tramita no Senado um projeto de lei que visa extinguir a espécie conhecida como pitbull. Se aprovado, todos os machos deverão ser obrigatoriamente esterilizados. Será o fim da reprodução pitbullniana. E o projeto ainda versa sobre outras 16 raças tidas como perigosas, impondo uma série de medidas e restrições. Infelizmente, políticos corruptos não estão na lista desses cachorros anti-sociais. Mais uma vez, por mais absurdo que possa parecer, o conjunto de parlamentares só discute o que lhe é conveniente. ...
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18/04/2010 - A fada Eduarda na floresta dos sapos

Bom domingo! Hoje é o dia nacional do livro infantil. Quantos de nós já nos encantamos diante desses livros quando pequenos? Como um livro seria demais para este espaço, ofereço a você uma história infantil. Leia e a faça chegar às crianças. Não só àquelas que o rodeiam como as que vivem dentro de você.

xxx

A Fada Dourada na floresta dos sapos


Era uma vez, uma floresta triste e sombria. As árvores, além de não terem folhas, tinham os troncos cobertos por rugas e verrugas. Dizem que o lugar foi amaldiçoado por uma bruxa que fez dali seu reino e, desde então, nunca mais nasceu uma flor sequer por ali. Bicho? Só corvos, morcegos, cobras, ratos, moscas, baratas e, claro, sapos. Nem mesmo o sol se atrevia a brilhar naquele lugar. Nuvens escuras cobriam o céu o tempo todo com explosões de raios e gritos de trovões. Mas ao contrário de água, o que caia das nuvens eram sapos. ...
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01/01/2014 - A força da estrela

Há de haver uma estrela para ser seguida mesmo nas horas mais difíceis. Uma estrela capaz de guiar, orientar, acalentar. Há uma estrela que protege mesmo com dia claro. Uma estrela colorida com o poder de atuar em todos os chacras. Há de haver uma estrela de cinco mil pontas. Pontas de mar. Pontas de lápis. Pontas de bailarina. Há uma estrela capaz de iluminar a noite mais escura. Uma estrela guardiã, um ponto de luz que esclarece até o sofredor. Uma estrela de força. Uma estrela que dissipa o pesadelo. Uma estrela que surge todos os dias, mas sempre com algo novo a brilhar. Uma estrela que alivia a dor dos que caminham sob o céu. Uma estrela com a missão de curar os males dos abismos negros da incompreensão. Uma estrela nascida com você, para lhe dar o caminho. Uma estrela que sublima por natureza. Uma estrela que queima como vela dentro de quem acredita em sua chama.


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24/03/2012 - A força de Maria

Maria é guerreira. Maria não se rende. Maria é de luta. Maria é coragem. Maria não desiste. Maria não desanima. Maria é a fé em pessoa. Maria vence os obstáculos. Maria não se intimida. Maria tem seu exercito. Maria é destemida. Maria tem poder. Maria dobra joelhos diante de sua imagem. Maria combate. Maria enfrenta. Maria tem seu próprio código. Maria é honra. Maria é a nova ordem. Maria é fidelidade. Maria é vitoriosa. Maria é vontade.

Maria não foge. Maria não medra. Maria não nega o seu deus. Maria confronta. Maria é o apogeu. Maria segue em frente. Maria está sempre presente. Maria tem as mãos limpas. Maria não carrega armas. Maria é sina. Maria é ilimitada. Maria é intensidade. Maria é força. Maria é liberdade. Maria é revolucionária. Maria é norteadora. Maria é chama que chama. Maria é amor superior. Maria é beija-flor e condor no mesmo voo. ...
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