Daniel Campos

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Encontrados 95 textos. Exibindo página 5 de 10.

24/03/2008 - Um pássaro que não passa

Um pássaro pousou na minha varanda. Entre variações de amarelo e cinza, ele era baixinho e até um pouco barrigudo. Com olhos adocicados e parados no ar, olhava para mim como se me conhecesse. Querendo me cumprimentar, estufou o peito e cantou em tom caipira. E isso não foi tudo. Em cima de uma gaiola vazia de um periquito que fugiu com uma beija-flor, ele começou um caminhar dançado. Dois para lá, dois para cá, o pé batendo aqui e ali. Um vento norte chegou trazendo o som de uma sanfona e de batidas de palma. Belisco-me para ter a certeza de que estou acordado. Afinal, o tal pássaro dançava catira diante do meu nariz. ...
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27/10/2012 - Um peso e duas medidas

Para cada flor, um monte de espinhos. Para cada sorriso, um sem número de lágrimas. Para cada encontro, mil desencontros. Para cada sol, quatro luas. Para cada milharal, meia dúzia de espantalhos. Para cada gata, dezenas de vira-latas. Para cada litro de mil, milhões de abelhas. Para cada duas asas, um pássaro. Para cada braço, seis cordas e infinitas combinações de acordes. Para cada ganhador, uma fila de perdedores. Para cada encruzilhada, um universo de caminhos.

Para cada casamento, duas ou três separações. Para cada pão, milhares de mãos. Para cada assassinato, dez mortos. Para cada anjo, um demônio. Para cada tempo, diferentes modos de se viver. Para cada roda da roda gigante, mais e mais beijos. Para cada maçã, uma, três, cinco, sete mordidas. Para cada dia de sorte, um ano de azar. Para cada espelho, uma multiplicidade de reflexos. Para cada árvore, punhados de frutos. Para cada mão da menina, uma, duas e até três bonecas. ...
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24/08/2008 - Um pirata sem mar

O menino entristecera de uma vez. O pai não sabia o que fazer. A mãe chorava pelos cantos todo o pranto que restava em seus olhos, já fundos. Já tinham recorrido ao clínico geral, ao terapeuta, ao psicólogo, ao cientista, ao padre, ao mágico do circo e ao morro em dia de carnaval. Mas o menino não sorria, só tinha os olhos lançados ao céu das cotovias. Não queria saber de estudar, de passear, de jogar, de conversar, de cochilar... Não nem mesmo namorar, embora seu comportamento fosse digno de um apaixonado de sentimento tão convicto quão aflito. E isso levava todos à loucura. Já diziam que ele ia definhar até morrer. ...
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22/11/2008 - Um portal aos seus pés

Muitos se perguntam sobre um portal mágico, cujo destino é uma outra dimensão, uma espécie de paraíso perdido, uma manjedoura de sonhos. Todos perseguem, mas ninguém dá notícia deste lugar. E todos nós temos acesso a ele e nem percebemos. Afinal, você já parou para pensar o ralo do banheiro? Esse inofensivo mecanismo instalado sob seus pés tem a missão de levar suas expectativas, suas lágrimas, seus suores, as marcas de seu corpo, seus medos, as conversas que não se calaram, o dia que passou e o que ainda não chegou para um outro mundo....
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16/09/2012 - Um pouco do tudo que sou

Eu não sou quem eu fui nem quem eu seria. Eu sou o que quis ser um dia, uma centelha de poesia. Sou como vento, intenso e sem forma definida. Sou como água corrente, levando barquinhos de papel, folhas e semente. Sou como pássaro que não se cansa das asas. Sou caramujo, levando uma casa nas costas. Uma casa de sentimentos. E sentimentos são como ventos soltos e revoltos que reviram de um tudo por dentro e por fora do mundo.

Eu não sou quem queriam que eu fosse. Eu sou o que sonhei e, o que cantei e, o que imaginei e, o que dancei e, o que chorei e, o que jurei e, o que amei e, o que matei e, o que batalhei e o que não sei. Não sei o que fui, o que sou, o que serei. Sou o retrato abstrato de um coração. Sou a sétima corda de um violão. Sou a quinta estação do ano. Sou o acerto escondido no engano e vice-versa. Sou a entrelinha da canção. Sou a criatura que versa. ...
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14/06/2008 - Um pouco Indiana

Estréia hoje o Homem-aranha número... Não percam o incrível Hulck... Com vocês, o Homem de Ferro... O Capitão América vem aí... Esses são só alguns dos diversos personagens em quadrinhos que tem povoado a tela do cinema e mexido com o imaginário das pessoas nos últimos tempos. Ao contrário de me imaginar como um desses super-heróis que são capazes de voar e ter força infinita, sempre vibrei muito com as odisséias de Indiana Jones.

Indiana Jones? Um professor de arqueologia e um aventureiro destemido em um mesmo corpo. Um personagem mais próximo do real, mas com toda a magia necessária para ativar o nosso subconsciente, levando-nos assim a mundos desconhecidos. Além disso, sempre gostei dessa coisa de deuses, enigmas e relíquias arqueológicas. A arca perdida, o cálice da última ceia, o templo da perdição são lendas que fazem parte do cotidiano de qualquer sonhador. E eu sonho... Por isso, dia desses fui ao cinema conferir o novo filme de Harrison Ford: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. ...
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12/07/2012 - Um presente a Pablo Neruda

Hoje, em homenagem ao aniversário de 108 anos de Pablo Neruda, convido você a viver a poesia de um ativista d'alma. Não quero que saia por aí escrevendo ou lendo ou declamando poemas, mas que tente viver ao menos um Neruda por inteiro. Pode escolher entre os versos líricos e angustiados de Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada e os de cunho político e de características épicas que surgem em Canto Geral. O importante é se alimentar ou se embriagar ou se deitar com um legítimo Neruda sem pensar nas consequências deste ato. ...
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21/03/2013 - Um presente para Ayrton

Poderia lhe dar mais um título ou mais um troféu, porém, neste seu aniversário de 53 anos, Ayrton, eu o presenteio com as minhas memórias. Memórias de um tempo que eu, como extensão de você, era guerreiro, vencedor, deus. Por quantos finais de semana gritei, vibrei, chorei, comemorei as suas vitórias. Memórias de um tempo que eu andava vestido com as roupas e com as palavras de Ayrton Senna. Você me fez acreditar na força e na magia de um ser humano que pode superar todo e qualquer limite. Você acelerou as minhas emoções, pisou fundo na minha formação, ultrapassou os meus medos. ...
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20/02/2012 - Um rei

Um rei não volta atrás mesmo quando esse é único caminho a seguir. Um rei não pede, ordena. Um rei não fala, ruge. Um rei nunca deixa de amar mesmo quando não mais amado. Um rei não julga, condena. Um rei não profetiza, executa. Um rei não é feito de pena. Um rei não chora, ao menos não diante de seu reino. Um rei não se rende. Um rei não cai. Um rei não morre, afinal seu coração é a coroa que continua pulsando em sua ou em outra cabeça.

Um rei não se limita a alguém e não imita ninguém. Um rei não se orgulha de seus súditos, mas de seus muros. Um rei não suplica, pega a força. Um rei não serve a interesses que fogem ao seu espelho. Um rei não brinca, duela. Um rei não existe nu de seus brasões, mantos e espadas. Um rei não é necessário, legal ou bem-feito. Um rei não sonha, conquista. Um rei não é domado. Um rei não tem o heroísmo como seu principal talento. ...
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02/07/2014 - Um só dois

Chama, chama, ai me exclama pra perto. Sem roupa, sem medo, sem veto. Ofensiva, toca-me, entoca-me, invoca-me, provoca-me pura e lasciva. Uiva em meus ouvidos fera em gemidos. Desafia meu coração. Desfia sua sétima intenção para comigo. Deposita suas mensagens nas garrafas dos meus olhos de vidro. Chama, chama, ai me enxama e saiba que eu ligo. Que a ousadia vença a simpatia. E que do amor o tempo jamais se esqueça. Que a paciência tenha clemência. Que os copos formiguem e se liguem. Que nossas pernas dividam o mesmo chão porque nosso teto é para além de toda e qualquer constelação. Chama, chama, chama ó tirana pelo seu servo. O amor é tudo menos cego. A esperança é o que de mais nobre carrego. Sou príncipe da espera. Sou pobre pólen na semente da primavera. Sou lince com dentes cravados na era ausente. Chama, chama, ai me engana, ai me ama, ai me trama, ai me amola pelas molas da sua cama.


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