Daniel Campos

Prosas

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11/12/2009 - 1980, o começo do fim

O clima desandou em 1980. É isso que os especialistas em impactos da mudança climática concluíram depois de anos de estudo. Para o bem ou para o mal, nasci exatamente no ano em que o aquecimento global aportou no mundo. Sem querer ser pretensioso, será que meu nascimento foi o responsável pelo início do processo irreversível de alteração das temperaturas terrenas. De 1980 para cá, tudo, em matéria de clima, piorou.

E agora? Posso ser condenado. Mas eu não tive intenção. Que importa tudo isso, quem vai acreditar em mim. Dos ursos polares do Ártico aos esquimós do Antártico todos querem a minha pele. Serei linchado pelos ambientalistas e torturado pelos naturebas. A imprensa, hipócrita como sempre, tratar-me-á como a escória da sociedade. Se eu tiver sorte de escapar dos atentados e açoites, viverei para o resto de meus dias com outro nome, rosto e profissão. ...
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28/03/2012 - 210 mortos

Ca-la-da! Morreu o funcionário público Nazareno Luís do Amor Divino. Morreu o símbalo sescual Alberto Roberto. Morreu o Bento Carneiro, vampiro brasileiro… pzztt! Não se movem! Morreu o detetive brasileiro Zé da Silva. Hehehe. O Véio entende, meu fio… Morreu o Véio Zuza. Morreu o ex-sapateiro Bexiga, Vá bene! Morreu o velhinho rabugento e delicado Popó. Morreu o baiano Zelberto Zel.

Qualé, Jacaré, morreu o Brazuca. Morreu Bruce Kane, fui claro!?? Morreu Lobato, mordomo e dublê de motorista. Nega xexelenta… Morreu Lord Black. Morreu o Coalhada, mas hein!? Morreu Divino sabe, divino diz. Morreu a senhora..., senhora não, senhorita Dona Dedé. Tatata tarariu! Morreu o Fumaça. Morreu o Gastão. Pão duro, não! Morreu Urubulino, mas pode piorar! Morreu Santelmo, aquele que não sabia mentir. Minino, mas olha minino! Morreu Setembrino Republicano....
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21/08/2015 - 50 anos de jovem guarda

Meu pai era menino do interior de um tempo de tantos nascimentos e renascimentos. Menino das peladas de dribles desconcertantes e dos gibis que passavam de mão em mão. E na televisão que meu pai via na casa de um vizinho, ainda com imagem tremida e cores resumidas ao preto e branco, nascia, em um programa de auditório, a Jovem Guarda. O tremendão, o rei e a ternurinha em meio a um tanto de músicos e cantores e grupos numa batida diferente do yê-yê-yê. As tardes de domingo de meu pai e de tantos outros jovens, de corpo ou de espírito, nunca mais foram os mesmos. E o vocabulário deu lugar a "broto", “papo-firme”, "carango" e a "é uma brasa, mora?". A moda mudou, a forma de falar de amor mudou, o mundo ganhou em espontaneidade e liberdade. Cinquenta anos depois não há mais jovem guarda nas tardes de domingo da televisão, mas o ritmo da juventude continua inspirando e levando vidas. Assim como muitos os que assistiram esse nascimento, como meu pai, ficaram marcados por uma espécie de elixir da juventude quando provaram o mais jovem de todos os tempos e ritmos – a jovem guarda.


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28/06/2013 - 68 anos de maluquice geral

O maluco beleza que nasceu há dez mil anos atrás completaria hoje, 28 de junho de 2013, 68 anos de existência terrena se ele não tivesse pegado o trem das sete com destino a um céu entre brumas de mil megatons. Se bem que é provável que Raul Seixas não tenha morrido. Ele pode facilmente, com o seu poder de metamorfose ambulante, ter se transformado em qualquer coisa nascida a partir da mistura de sua maluquez com sua lucidez.

Talvez ele esteja em mais uma aventura na cidade de thor ou nas minas do rei salomão. O canceriano sem lar pode estar em qualquer lugar. Dentre tantas incertezas é certo que o carpinteiro do universo inteiro deve estar por aí a querer consertar o que não pode ser. Como vovó já dizia, o cowboy fora da lei não pode ser censurado, parado, domado... Anda, canta, ama, dança, fuma, voa por aí sem medo da chuva e pousando em tantas sopas....
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31/08/2009 - :..:| ..:| |..-.. .::":.., :.:;

Eu quero amar cegamente e, como prova deste ato, inicio este texto com "eu te amo" em braile. O amor dos cegos é sublime. Um amor feito de toque e imaginação. O amor que avista para além do físico. Para nós, dependentes dos olhos, amar cegamente é uma situação desesperadora, quase impossível de se concretizar. No entanto, pode ter certeza de que aqueles que conseguem se desvencilhar das pupilas desfrutam de um mundo-amor completamente arrebatador.

Amar cegamente implica em escutar nitidamente o que a criatura amada quer dizer. Além, é claro, da possibilidade de ouvir, de forma perfeita, os batimentos cardíacos e a melodia da respiração. Há toda uma graciosidade em se vestir e se despir pelas mãos do seu par amoroso. Sob a escuridão dos olhos, as mãos vão, cuidadosamente, navegando por um oceano de temperaturas e texturas. Amar cegamente é confiar em absoluto sua vida, seus dias, seus passos a outra pessoa. E isso é a essência do amor....
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26/03/2014 - A anatomia da mulher amada

Parte por parte, a composição da mulher amada é pura arte. De baixo pra cima, para crescer o clima de suspense, pense nos pés da princesa mais delicada já imaginada no reino do faz de conta. Pés pequeninos, suaves, tímidos e dignos de serem beijados por aquele que se curva em total reverência à mulher amada. Tornozelos que incitam a subir por pernas torneadas, lisíssimas e sedosas, um joelho muito bem articulado e coxas gostosas que abrem o apetite do desejo da alma em viver a mulher amada por inteiro. Pernas que levam a lançar pensamentos nessa mulher pedalando no parque, correndo nas areias do mar, subindo escadas intermináveis. Esticadas ou cruzadas, essas pernas desajustam o juízo de quem as contempla em níveis absurdos. Seus tecidos são lisos cobertos por, no máximo, uma finíssima penugem, mas olhada de forma mais atenta é possível ver os afrescos e arabescos que formam os eus interiores da mulher amada. Um umbigo que traz estrelas dependuradas, uma barriga de causar duradouros e consecutivos suspiros e uma cintura que dá vontade de pegar e não soltar numa mais. O corpo exala temperaturas febris e ao mesmo tempo um frescor único, trazendo à tona seu estado permanente de combustão e reações químicas jamais decifradas. Suas costas pedem que soltemos as amarras dos nossos veleiros partindo rumo ao desconhecido encantado, por um mar de mistérios que traz ondas surpreendentes a cada vértebra. E se veleja sempre esperando encontrar o esconderijo das suas asas. Um corpo de tantas cores, brilhos e contrastes de uma mulher camaleoa, que reflete às retinas sempre de uma maneira diferente e nova, mas se mantendo essencialmente igual. Os seios se avolumam em crescentes quereres, exibindo ou deixando escapar desenhos arrojados e inspiradores. Seus decotes são convites ao ato de pular dos penhascos em busca da felicidade. A mulher amada tem ossos leves como o das aves, permitindo-lhe o voo e músculos rijos, capazes de fugir como caça ou de perseguir como caçadora. O pescoço leva à região dos beijos que despertam arrepios em territórios secretos. Falando em beijos, a boca de sereia, composta por lábios embonecados e fartos, além de beijar magicamente, canta docemente. Também não se pode deixar de mencionar o sorriso, que tem a força de devolver a vida ao que a vida transformara em pedra. A língua é embebida no melhor da literatura e em outras prosas surpreendentes, tendo um balanço fonético, atlético, poético. Os cabelos perfumados escorrem com leveza iluminados num balé de luzes por seu rosto e corpo. Os olhos falam por si próprios, tenros e profundos. É tão fácil se perder quão se encontrar em seus olhos. Seus cílios se movimentam como brisa e suas sobrancelhas se movimentam imediatamente ao comando de seu humor. O nariz é de uma delicadeza que denuncia emoções mais fortes colorido de pudor, assim como o queixo e as maçãs do rosto. A orelha, tão pequenina, incita versos aos ouvidos. Há flores, músicas, pinturas, danças pelo corpo multidimensional da mulher amada. Sua pele traz uma espécie de pólen invisível aos olhos, mas sentida pelo tato mais cuidadoso. Seu corpo se assemelha a um tule pronto a ser bebido com elegância e vontade, saboreando cada borbulha que, por meio da explosão silenciosa, revela ou não sua dose de fantasia. Os braços são perfeitos para serem transformados em abraços e as mãos, com unhas irretocáveis, atraem os príncipes dos mundos mais longínquos para beijos encantos; mãos nobres que à luz das velas do sol ou da lua são pedidas e queridas em casamento. Afinal, a anatomia da mulher amada casa-se perfeitamente com a poesia que nasce por ela.


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23/01/2017 - A arte de escolher

Você acorda já com a escolha de continuar deitado, preguiçando mais um pouco, ou de pular da cama e fazer uma caminhada, uma academia, uma meditação. Ao entrar no banho, que já é fruto de uma escolha, escolhe por onde começa a se ensaboar e o tempo que fica embaixo do chuveiro. Você escolhe, a partir da sua necessidade ou do seu humor, a roupa que vai vestir. No café da manhã, opta entre o pãozinho com manteiga, uma barrinha de cereal, uma fruta e até ficar de estômago vazio. Na rua, precisa escolher entre um caminho e outro, priorizar o trânsito ou as paisagens, para chegar onde deseja. Mesmo que seja obrigado a estudar uma matéria específica ou fazer um determinado serviço, você escolhe a forma com que vai executar essas tarefas. No almoço, você escolhe o cardápio. Escolhe quem vai adicionar ou não aos seus contatos, com que vai conversar, o que vai curtir nas redes sociais, qual foto vai postar e o conteúdo do comentário, se tiver escolhido comentar. Você escolhe a música que vai ouvir, o canal que vai assistir, se vai ou não ver o filme até o final. Você escolhe se vai perdoar ou não, fazer bem ou mal para o seu corpo, continuar doente ou buscar a cura, sair do casulo ou continuar escondido. Você escolhe se vai continuar chorando pelo que foi uma escolha sua ou dar a volta por cima. Se dar valor é uma escolha. Fazer o bem é uma escolha. Jogar pedras ou sementes é uma escolha. Você escolhe qual boca vai beijar, se vai ser fiel ou trair, se vai terminar ou seguir com o relacionamento, se vai dar o braço a torcer ou continuar brigado, se vai dizer eu te amo ou ficar em silêncio. ...
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25/02/2016 - A árvore e o vento

Impossível te esquecer, te apagar, não lembrar, não viver você. Está em meus pensamentos, pelos meus neurônios, indo pelos meus axônios, habitando as minhas partes e impregnando o meu todo. Seja como garotinha ou mulher, protagonista ou coadjuvante, marcante, você está lá no meio, bem no meio do meio, da minha cabeça. Está deslumbrante, estonteante, vibrante. Você me leva à frente e quando eu vou carrego você como o noivo carrega a sua noiva, como menino leva o coração da sua menina, como homem guarda as lembranças da sua mulher. Tudo o que eu faço tem uma digital sua. Tenho suas marcas em meu corpo, em minha alma, em minhas vidas. No que eu como, sonho, caminho, canto, falo, beijo, abraço, transo, voo, planto, leio, escrevo, toco, invoco, provoco está você. Em cada mordida, em cada arrepio, em cada música, em cada fantasia, em cada passo lá está você. Pode não acreditar, mas vive em mim de um jeito único e sagrado, sacramentado a cada fração de segundo. O meu mundo roda em torno do seu eixo, e se anda por tudo o que sou é porque eu deixo. Eu amo e não me esqueço. O perfume que eu uso, a roupa que eu visto, o retrato que eu vejo no espelho me trazem você. No meu querer, no meu ser, no meu fazer só dá você. Mesmo ausente fisicamente, você é plena e presente na minha história contínua. Meu romance, meu conto-de-fada, meu era uma vez que continua sendo mais e mais e mais uma vez. Tudo o que vivemos e o que não vivemos se casam em tantas variações e possibilidades. E se... e se.... e se... Tudo o que não aconteceu, acontece de um jeito ou de outro cá dentro. Há uma explosão de sentimento. E seu olhar, no fim do túnel, me traz o alento. Se eu ainda voo é porque conto com suas asas. Se eu ainda falo em casamento é porque tenho você unida em mim. Se eu ainda componho é porque proponho doses da sua poesia ao meu dia. Mulher. Menina. Anja. Colombina. Garota. Noiva. Musa. Amada. Estrada. Estrela. Princesa. Delicadeza. Tantas faces, qualidades e incertezas em uma mesma beleza. Face a face, você me olha e me tem. Corpo a corpo, o que somos um para o outro não se contém. E nessa mistura de saudades e expectativas, desejos e realidades, tenho você a todo o tempo, em qualquer lugar, no meu universo particular. Sou árvore verde e você o vento azul que chega e mata a minha sede, balança minhas folhas, entorta os meus galhos, dança pela minha copa, escorre pelo meu tronco, entra pelo meu oco, assovia e canta pelo meu interior. Chega ao meu coração e bebe da minha seiva fazendo-me florir e frutificar só para você, ventania, levar minhas flores e sabores que nunca deixei de te ofertar. Impossível te esquecer quando minhas raízes te buscam mundo adentro, quando minhas folhas escritas partem de mim tentando te encontrar. Impossível te esquecer quando estamos unidos pelos mistérios do verbo amar. E nessa verborragia toda que nasça e renasça a magia de sermos juntos numa espécie de pomar do paraíso, num quê de se apaixonar nunca perdido. Com ou sem juízo, o amor entre a árvore, enraizada na ilusão, e do vento, que varre a solidão, nunca estará esquecido.


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07/05/2011 - A ausência das estrelas cadentes

Por onde caem as estrelas cadentes que ninguém mais vê? Corpos celestes em plena e total queda livre, desafiando a lei da gravidade. Estrelas ausentes que deixam saudades no céu e nos olhos que acompanham sua trajetória oblíqua. Por onde caem as estrelas que roubavam o protagonismo da luta, que embaralhavam os olhares dos casais apaixonados, que recebiam pedidos das mais diversas ordens?

Estrelas que deixavam um traço entre o prateado e o dourado no céu. Estrelas de cortes flamejantes, que deslizavam rasgando a pele negra do universo. Estrelas que pintavam o infinito de amarelo-laranja-violeta. Estrelas que morrem por uma causa, por um capricho, por um prazer. Se considerarmos que essa atitude de cair se assemelha a um suicídio poderia afirmar que as estrelas estão mais felizes, sem motivo para a queda....
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02/12/2013 - A Bahia me chamou

A Bahia me procurou, me ligou, me chamou para viver mais ela, num cenário de novela. Viver com muita pimenta e dendê, meu deus o que eu vou fazer se é lá que eu quero morrer? Pra que lado fica o caminho do pelourinho? Que as águas mornas da Bahia, carregadas de sal, curem as feridas da fantasia. Que tudo seja um recomeço e que a dor do “não” não encontre meu endereço. O mundo de cá não cabe no mundo de lá. Então, é preciso coragem para se deixar. Há sempre um amor para carregar e outro para abandonar num bom lugar, saravá! ...
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